Menu fechado

Calendário Budista

O calendário budista foi criado pela mesma necessidade que o homem sentiu ao criar os calendários anteriores, ou seja, para se organizar no tempo, registrar datas importantes para comemoração e a para registrar a evolução da humanidade.

A história registra que a criação do primeiro calendário foi feita pelo povo Sumério que habitava a Mesopotâmia, no ano de 2700 ac. O calendário era composto por 12 meses lunares, por ser o ciclo da Lua menor do que do Sol. Os meses eram de 29 ou 30 dias e o calendário tinha um total de 364 dias.

O ciclo solar por ser mais longo era mais complexo de ser analisado, mas, mesmo assim, os egípcios criaram seu calendário com base no período solar, com 365 dias divididos em 12 meses de 30 dias, acrescido de 5 dias no final dos 12 meses. Na havia ano bissexto e as estações eram apenas três. Inundação, Inverno e Verão.

Alguns povos criaram seu calendário lunissolar, como é o caso dos chineses. O ciclo é contado a cada 12 anos e é contado a partir do mês de fevereiro, que é o mês que inicia o ano novo chinês.

O calendário budista, assim como o calendário cristão, foi criado a partir de um evento importante para o povo, portanto, foi criado a partir da morte de Buda em 483 ac em Kushinagar, atual Índia, quando ele estava com 80 anos.  

Antes dessa data o calendário era em número muito grande, devido a ser confeccionado de acordo com cada região diferente entre a Índia e o Nepal. Essa confusão de calendário teve seu fim em 22 de março de 1957, através de decisão da Comissão de Reforma do Calendário, que unificou e oficializou como calendário lunissolar, com ano bissexto igual ao calendário gregoriano.

Porém, até hoje as festividades religiosas ainda não tem dia fixo para acontecer, pois os hindus continuam a usar o movimento lunar para determinar tais datas.  

Como funciona o calendário budista?

Esse calendário é usado nos países de religião budista como, por exemplo, o Laos, Tailândia, Sri Lanka, Cambodja, Japão e outros. A duração do calendário budista é de 1 meses, mas, a cada 3 anos o ano tem 13 meses, para poder acertar a diferença em relação ao calendário ocidental gregoriano. Por esse motivo é que se torna difícil prever quando ocorrerão as festas religiosas.

Os meses recebem identificação apenas numérica, sendo que o único que atribui nome aos meses é o Sri Lanka. As estações do ano são divididas em três períodos: quente, chuvosa e de ventania. Os dias podem ter duas ou três refeições, dependendo da sombra emitida pela Lua ou pelo Sol. A semana tem sete dias.

Quantos tipos de calendário budista existem?

Depois da morte de Buda, cerca de mais ou menos 100 anos depois, começaram a surgir divergências sobre a doutrina. Dois grupos foram os primeiros a se formarem a partir da dissidência. Theravada, o grupo do ensinamento dos mais velhos, e o Grande Sangha ou Marayana, o grupo da maioria.

O Theravada, o grupo do ensinamento dos mais velhos, é predominante no Sri Lanka (onde os meses do calendário budista recebem nome no lugar de números) e boa parte do sudeste asiático onde estão o Camboja, Laos, Birmânia e Tailândia, além de estar presente também no Vietnã, China, Malásia e Indonésia.

O Mahayana, o grupo da maioria, espalhou-se pelo Japão, China, Coréia, Tibet, Vietnã e outros. Os praticantes desse ramo do budismo deram origem a outros grupos: Terra Pura – Vajrayana – Zen – Nichiren.

Existem ainda as escolas contemporâneas do budismo que são: Vipassana – Shambhala – Nova Tradição Kadampa.

Apesar do grande número de escolas e linhagens do budismo, todos eles usam o mesmo calendário budista.

Em que ano estamos em relação ao calendário budista?

Registrar a passagem do tempo é algo que vem sendo feito pelo ser humano há milênios, e registrar essa passagem não é nada fácil já que cada povo tem seus momentos importantes e se baseiam no Sol, na Lua e no movimento dos astros. Portanto, isso gera uma diferença enorme em número de anos de um país para o outro, embora a maioria use o calendário gregoriano.

A contagem do tempo e o registro dos acontecimentos precisam ser feito de maneira rápida, já que o tempo é efêmero e não é possível estabelecer um marco de início ou fim para a contagem dele. Existem até hoje povos que continuam a registrar os fatos sem interrupção ou modificação na contagem do tempo.

Em 2018, ou seja, no ano corrente que estamos atualmente, alguns povos estão numericamente falando muitos anos à frente ou atrás de nós. Podemos citar alguns.

Tailândia – 2561 – segue o calendário budista lunar.

Etiópia – 2011 – atrasado 8 anos em relação ao calendário gregoriano. O dia para eles começa com o por do sol e não à meia noite.

Israel – 5778 – o calendário começou com a primeira lua nova em 3761 ac.

Paquistão – 1439 – o calendário muçulmano começou com a ida de Maomé de Meca a Medina em 622 dc.

Irã – 1396 – criado em 1925 com a ajuda do matemático Omar Jayam.

Índia – 1939 – esse calendário foi elaborado e adotado em 1957, porém existem outros calendários budistas na Índia, dependendo da tribo ou do povo. São baseados na morte de Krishna, na conquista do poder por Vikram, ou na morte de Buda.

Japão – ano 30 – os japoneses usam o próprio calendário e o calendário gregoriano para os documentos oficiais. O atual calendário é chamado de “Era da Paz e da Tranquilidade”.

China – 1416 – o marco é a chegada ao poder do imperador Huangdi em 2637 ac.

Coréia do Norte – ano 107 – o marco é o nascimento de Kim II Sung fundador do Estado Norte Coreano.

Contar o tempo pode ser interpretado de várias maneiras, não só para a contagem do tempo para registro de eventos históricos, como para contagem de anos na própria vida. Alguns povos asiáticos contam os anos de uma pessoa a partir do novo ano que chega e não a partir da data de nascimento. Portanto, quando começa o ano novo a festa é para comemorar o aniversário de todos os familiares e não apenas de uma pessoa. Dessa forma, a idade de um asiático pode ser bem diferente da idade de um europeu.