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Calendário Egípcio

O Calendário egípcio está entre os mais antigos de que se tem registro na história.

Assim como ocorreu com outros povos da antiguidade, os primeiros calendários adotados pelos egípcios eram lunares, ou seja, toda a noção de períodos de tempo baseava-se nas fases da lua.

Por volta do ano 2700 a.C., os egípcios adotaram um calendário solar, por sinal, o mais antigo calendário solar de que se tem notícia.

A origem do calendário egípcio

Um ciclo completo da lua tem duração aproximada entre 29 e 30 dias. Por ser um período relativamente curto, sua repetição logo foi percebida, até mesmo por povos primitivos.

Existem evidências do uso de calendários lunares desde a pré-história, ainda na época do Homem de Neanderthal.

Entre os povos que habitavam as margens do rio Nilo também foi natural a adoção desse tipo de calendário.

Entretanto, o fenômeno das cheias do rio Nilo levaria os egípcios a perceberem a existência de outro ciclo, distinto e independente do ciclo da lua.

Em torno do ano 7000 a.C., a prática da agricultura teria chegado à região. Era uma atividade que dependia totalmente do fenômeno das cheias do rio, que ao seu final deixavam aquelas terra férteis e propícias para o plantio.

Havia portanto um ciclo formado pelo período das cheias, pelo período do plantio e pelo período da colheita.

Porém, o calendário lunar não os ajudava a identificar com precisão a chegada desses períodos.

Em algum momento, os egípcios perceberam que o início do período das cheias coincidia com o surgimento da estrela Sirius, que fica na constelação do Cão Maior.

Assim, esse fenômeno passou a ser usado como referência para suas atividades. Nascia ali o calendário solar egípcio. O surgimento da estrela Sirius no céu egípcio passou a marcar o início de um novo ano.

Na mitologia egípcia, a estrela Sirius é chamada “Soped” e foi associada à figura do deus Osíris, símbolo da realeza, que representa a vegetação e a vida no Além.

O calendário solar passou a ser usado como uma espécie de calendário civil, regulando sobretudo a atividade econômica dos egípcios.

Entretanto, o calendário lunar continuou sendo referência para as festividades de natureza religiosa.

A estrutura do calendário egípcio

O calendário solar egípcio era formado por 12 períodos de 30 dias cada, perfazendo um total de 360 dias.

Ao final desses 360 dias, havia outros cinco, dedicados às divindades Osíris, Horus, Ísis, Neftis e Set, completando 365 dias.

Esses 5 dias complementares eram chamados “heryou-renpet”, isto é, dias que estão para lá do ano. Os gregos se referiam a eles como Epagómenes.

Já naquela época, os egípcios sabiam que o ciclo solar durava aproximadamente 365 dias e 6 horas, mas no início não se preocuparam em fazer ajustes.

Os meses do calendário egípcio

O ano solar egípcio apresentava três períodos bem definidos:

  • Akhet: o período marcado pelas inundações do Rio Nilo; as inundações fertilizavam o solo, tornando-o propício para o plantio.
  • Peret: o período para o início do plantio, depois das cheias;
  • Shemu: a estação seca, em que se realizava a colheita.

Pelo nosso calendário atual (o gregoriano), Akhet corresponde a um período que vai de meados de junho até meados de outubro; Peret começa em meados de outubro e termina no início de fevereiro e Shemu completa o ano, de fevereiro a junho.

No início, os 12 meses do calendário solar não tinham nomes. Com o tempo, começaram a ser adotados nomes herdados dos meses do calendário lunar.

Assim, tínhamos:

  • O primeiro mês de Akhet, chamado de Tout em árabe egípcio;
  • O segundo mês de Akhet, Baba;
  • O terceiro mês de Akhet, Hatour;
  • O quarto mês de Akhet, Kiahk;
  • O primeiro mês de Peret, Touba;
  • O segundo mês de Peret, Amshir;
  • O terceiro mês de Peret, Baramhat;
  • O quarto mês de Peret, Baramouda;
  • O primeiro mês de Shemu, Bashans;
  • O segundo mês de Shemu, Ba’ouna;
  • O terceiro mês de Shemu, Abib;
  • O quarto mês de Shemu, Mesra.

A semana no calendário egípcio

Semana não é o termo mais adequado, já que o calendário solar egípcio passou a dividir o mês em três períodos de dez dias cada.

Podemos chamar cada período de década, já que, apesar de estarmos habituados à ideia de década como um período de dez anos, a palavra na realidade diz respeito a um conjunto de dez unidades ou itens.

E a divisão do mês em três períodos de dez dias não era aleatória.

Cada “década” correspondia ao surgimento de um decano. Os decanos eram estrelas, 36 ao todo. Cada uma delas permanecia visível no céu por dez noites consecutivas.

Assim. o ciclo de 12 meses correspondia também ao ciclo dos 36 decanos.

A contagem de anos

O calendário egípcio não tinha uma contagem linear de anos iniciada em alguma data de referência.

Na realidade, havia sim uma contagem, mas que era reiniciada a cada vez que um novo rei tomava posse (semelhante ao que ocorre há séculos no Japão, por exemplo).

O dia e a hora

Os egípcios foram também os primeiros a estabelecer a divisão do dia em 24 partes iguais.

Primeiro, criaram o relógio de sol, com o qual foram capazes de dividir o dia, isto é, o período iluminado pelo sol, em doze intervalos iguais de tempo.

Porém, após o pôr do sol e durante toda a noite, não havia uma referência para marcar a passagem do tempo.

Foi com a observação dos decanos que os egípcios conseguiram dividir igualmente a noite em outros 12 intervalos iguais de tempo.

Essa marcação teria sido estabelecida no ano 1500 a.C., aproximadamente. Séculos depois, astrônomos gregos partiriam para a divisão da hora em minutos e segundos.

O calendário alexandrino

No ano 500 a.C., aproximadamente, os persas teriam adotado o calendário egípcio, ao menos parcialmente.

Os astrônomos gregos também reconheceram o calendário egípcio e o utilizaram como referência durante muito tempo.

Foi a partir do calendário egípcio que Copérnico desenvolveu seus estudos sobre a lua e os planetas.

No ano 238 a.C., o rei Ptolomeu III tentou, sem sucesso, introduzir o ano bissexto para ajustar o calendário.

O ano bissexto só foi incluído no calendário egípcio no ano 23 a.C. Nessa época, o Egito vivia sob domínio do Império Romano.

Com a reforma, o novo calendário passou a ser conhecido como calendário alexandrino.

Entretanto, essa reforma não foi aceita por unanimidade e os dois calendários passaram a coexistir até pelo menos o ano 238 da era cristã.

Entre os armênios, até hoje se adota o antigo calendário egípcio como referência.

Na Etiópia, a igrja Copta adota o calendário alexandrino.

No Egito e em outras regiões do norte da África, a atividade agrícola é controlada também a partir do calendário alexandrino.

Conclusão

A história conhecida do calendário egípcio ilustra bem as motivações que levaram a humanidade a criar mecanismos que viriam a se tornar verdadeiras alavancas no desenvolvimento da civilização.