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Calendário Hindu

Para falarmos sobre o calendário hindu, precisamos antes compreender um pouco da cultura e da história de uma das mais antigas e importantes civilizações do continente asiático.

O país que hoje chamamos de Índia tem uma longa e rica história.

Mas o povo hindu não se restringe apenas ao território indiano, ele está presente também em países vizinhos, como o Paquistão, o Nepal, Singapura, Bangladesh e Sri Lanka, entre outros.

A civilização hindu

No início do segundo milênio antes da era cristã, um grupo conhecido como drávidas ocupava a região do vale do rio Indo. Os drávidas viviam em intenso comércio com os povos vizinhos.

No século XVIII a.C., a região é invadida pelos árias, que dominam e escravizam os drávidas. Para muitos historiadores, esse é o início da formação do povo hindu.

A palavra “hindu” é de origem persa e significa algo como “o povo que vive do outro lado do rio”.

Os drávidas não eram guerreiros, por isso foram facilmente dominados, não só militarmente, como também em termos administrativos e econômicos.

Para ratificar seu domínio, os árias criaram o sistema de castas e o impuseram através da religião.

A propósito, culturalmente, a ideia do sistema de castas sociais está presente ainda hoje entre os indianos, embora formalmente a Constituição de 1950 o tenha proibido.

A religião entre os hindus

A religião nativa do povo hindu é chamada de hinduísmo (ou bramanismo na sua origem) e é anterior à chegada dos árias à região do rio Indo.

Assim, os árias teriam adotado as práticas religiosas já existentes entre o povo local.

Sendo mais exato, o hinduísmo é herdeiro da antiga religião védica, cujas escrituras sagradas são datadas do ano 4000 a.C., aproximadamente.

Por essa ligação com os Vedas, o hinduísmo é tido como a mais antiga tradição religiosa ainda viva.

No hinduísmo são cultuadas três divindades principais: Brahma, o deus da criação, Vishnu, o deus da preservação da criação e Shiva, o deus da destruição.

Entretanto, há algo em torno de 300 mil outras divindades no hinduísmo, adaptadas aos mais diversos costumes regionais.

No século V a.C., surge o budismo, prática que deriva do hinduísmo, mas que ganha vida própria como uma nova religião que nos séculos seguintes atravessaria fronteiras, estabelecendo-se em diversas regiões da Ásia até chegar também ao Ocidente.

Ao mesmo tempo, isto é, também no século V a.C., surge o moderno jainismo, uma prática religiosa talvez tão antiga quanto o próprio hinduísmo.

Ao contrário do budismo, a prática jainista permaneceu restrita a alguns grupos dentro da própria Índia.

A evolução do calendário hindu

O que chamamos de calendário hindu é na realidade uma referência a um conjunto de calendários que vêm se modificando desde a época dos Vedas.

Embora diferentes tradições regionais tenham dado origem a diferentes calendários, a maior parte deles tem uma origem comum, em escritos védicos do segundo milênio anterior à era cristã.

Em resumo, os tratados védicos sobre astronomia e algumas importantes reformulações ao longo do tempo exerceram grande influência na definição dos muitos calendários adotados entre os hindus.

Assim, esses calendários mais tradicionais são, em sua maioria, lunares, compostos por 12 períodos de 29 a 30 dias cada, perfazendo um ano de 354 dias.

De tempos em tempos, um décimo terceiro período é acrescido para sincronizar esses ciclos lunares ao ciclo solar.

O ano novo hindu varia de uma região para outra:

  • No sul da Índia, ocorre no primeiro dia do mês Chaitra. Pelo calendário gregoriano, corresponde a uma data no mês de março.
  • No leste e no centro do país, o ano novo é celebrado no mês Kartik (outubro/novembro do calendário gregoriano).
  • Já a comunidade Tamul considera que o ano novo começa no mês Vaishakh (abril).

Outra diferença existente entre os muitos calendários tradicionais hindus é que, embora os doze meses tenham os mesmos nomes, algumas regiões consideram a lua nova como o evento que marca o início de cada mês, enquanto outras adotam a lua cheia.

O calendário nacional indiano

Em 1953, o governo indiano criou um comitê para estudar a adoção de um calendário nacional unificado, para pôr fim à grande confusão na qual vivia o país, onde mais de 30 diferentes calendários eram usados nas diversas regiões do país.

Essa diversidade de calendários era utilizada principalmente para se determinar os dias das festividades tradicionais e religiosas.

Afinal, conforme já citado, no hinduísmo são cultuadas mais de 300 mil diferentes divindades, muitas delas específicas de cada região.

Além disso, a sociedade indiana convivia com as tradições budistas, jainistas e com uma considerável população muçulmana, que naturalmente se orientava pelo calendário islâmico.

Em meio a tudo isso, o governo indiano ainda adotava, por motivos de ordem civil, o calendário gregoriano.

Ao contrário da maioria dos calendários tradicionais, o calendário nacional indiano proposto pelo comitê era solar. Ele entrou em vigor em 1957.

Em 1966, o governo de Bangladesh também adotou um calendário nacional unificado, nos mesmos moldes do indiano, substituindo um calendário que vigorava na Índia oriental desde o final do século XVI.

Apesar da adoção do calendário nacional, muitas regiões da Índia e muitas comunidades nos países vizinhos continuam a conviver com seus calendários tradicionais.

A contagem do tempo entre os hindus

Outro aspecto importante em um calendário diz respeito à contagem do tempo histórico. Os hindus, por exemplo, dividem o tempo histórico em idades, épocas ou eras.

Assim, o calendário civil indiano considera que estamos vivendo a Era Saka, estabelecida com a chegada do rei Salivahana ao trono, no primeiro século da era cristã.

Ao mesmo tempo, outra contagem de tempo muito popular entre os hindus tem como referência a coroação do rei Vikramaditya no primeiro século anterior à era cristã, que deu início à Era Vikram.

Dessa forma, entre esses dois calendários, há uma distância de pouco mais de 130 anos na contagem do tempo histórico.

Já o calendário religioso hindu estabelece a divisão do tempo em quatro idades: Satya, Treta, Dwapara e Kali.

Entre os estudiosos das tradições hinduístas, há significativas diferenças de interpretação quanto a essa divisão do tempo histórico.

Muitos estudiosos consideram que estamos atualmente vivendo a Idade Dwapara.

Outro grupo considera que estamos na Idade Kali, que teria sido iniciada no momento em que Krishna deixou a Terra para retornar à sua morada espiritual.

Usando o calendário gregoriano para nossa referência, essa interpretação considera que a Idade Kali teria se iniciado no ano 3102 a.C.

Dentro desse segundo grupo, alguns ainda interpretam que a Idade Kali teria uma duração de 432 mil anos. Até o presente momento, passaram-se 5 mil anos.

Um terceiro grupo propõe ainda que a Idade Kali já acabou.

Conclusão

Apesar de confuso devido às muitas variantes existentes, o calendário hindu é mais um a confirmar os surpreendentes conhecimentos que antigas civilizações foram capazes de desenvolver em astronomia.