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Calendário Judaico

O calendário judaico é parte de uma importante tradição cultural, que sobreviveu diante de muitos obstáculos e manteve unido um povo, mesmo este tendo se espalhado pelos quatro cantos do mundo.

Neste artigo destacaremos as características do calendário judaico e um pouco de sua história.

Origem do calendário judaico

O atual calendário judaico, elaborado a partir de estudos matemáticos e astronômicos,  foi instituído no ano 359 da era cristã, por Hillel II, à época presidente do Sinédrio, uma espécie de Conselho ou Corte Suprema.

O objetivo dessa iniciativa teria sido o de estabelecer um calendário de caráter permanente para orientar as comunidades judaicas que haviam saído de Israel por ocasião da Diáspora.

Também conhecido como “Luach”, o calendário judaico é voltado especificamente para as questões religiosas.

É o calendário oficial adotado em Israel, sendo também seguido pelos judeus espalhados por todo o mundo.

A Diáspora judaica

Genericamente, diáspora diz respeito ao fenômeno em que um povo se vê obrigado ou pressionado a abandonar sua própria terra e buscar refúgio em outros lugares.

Os judeus têm em sua história dois grandes movimentos de diáspora, que os levaram a espalhar-se pelo mundo.

A primeira Diáspora judaica

A Primeira Diáspora teria se iniciado no ano 722 a.C., quando guerreiros assírios invadiram e destruíram o reino de Israel, aprisionando a população das dez tribos locais e conduzindo-a ao cativeiro à Assíria.

A Diáspora é agravada em 586 a.C., com a invasão dos babilônios ao reino de Judá.

Comandados por Nabucodonosor II, os babilônios destroem Jerusalém e os judeus são deportados para a Babilônia.

Na Babilônia, quarenta mil judaicos se estabelecem, tentando manter sua cultura e ao mesmo tempo assimilando costumes locais.

Nessa época, o idioma hebreu começa a perder espaço para o aramaico.

Com a queda do Império Babilônico, alguns judeus retornam a Judá, enquanto outros preferem permanecer na Babilônia.

A Babilônia também foi alvo de invasão pelos persas, mas dessa vez ou judeus puderam permanecer no local.

A segunda Diáspora judaica

A segunda Diáspora judaica tem início no ano 70 da era cristão, quando os romanos destroem Jerusalém.

Dessa vez, os judeus se dispersam ainda mais, dirigindo-se para a Europa, a África e a Ásia Menor, tendo muitas vezes que migrar sucessivas vezes.

O fluxo migratório iniciado na segunda Diáspora foi o que culminou com a chegada de judeus à América, séculos depois.

O ano no calendário judaico

O calendário judaico introduzido por Hillel é do tipo lunissolar, ou seja, baseado nos ciclos da lua, porém com um mecanismo de sincronização aos ciclos solares.

Assim, o ano judaico pode ter 12 ou 13 meses. Os anos de 12 meses têm entre 353 e 355 dias, enquanto os de 13 meses têm entre 383 e 385 dias.

Os anos de 353 dias são chamados de normais incompletos, enquanto os de 354 dias são os normais regulares e os de 355 dias são os normais completos.

Do mesmo modo, os anos com 383 dias são os embolísmicos incompletos, os de 384 dias são os embolísmicos regulares e os de 385 dias são os embolísmicos completos.

A cada 19 anos, há 7 anos de 13 meses e 12 anos de 12 meses, em uma ordem predefinida.

Dessa forma, temos a seguinte sequência em cada ciclo de 19 anos: o 3º, o 6º, o 8º, o 11º, o 14º, o 17º e o 19º anos são de 13 meses. Os demais são de 12 meses.

A contagem do tempo

A tradição judaica considera que a contagem de anos de seu calendário se inicia com a criação do mundo.

Os judeus chegaram a essa data através da Torá, isto é, dos escritos sagrados, estudando a sequência cronológica formada pelas idades das pessoas ali retratadas.

Muitos judeus reconhecem que as referências temporais relatadas nos escritos sagrados não necessariamente coincidem com o conceito moderno de tempo (anos, meses, dias, …).

De todo modo, pelo calendário gregoriano, a data da criação a que chegaram os estudiosos corresponde ao dia 7 de outubro de 3761 a.C.

Os meses no calendário judaico

Cada mês se inicia na lua nova e tem 29 ou 30 dias de duração. Originalmente, os judeus adotavam a prática de dar como iniciado um novo mês o momento em que ao menos duas testemunhas notificassem as autoridades que tinham observado a lua nova.

Se esse expediente funcionava para os judeus que viviam ao redor de Jerusalém, o mesmo não se podia dizer em relação aos judeus que se encontravam em terras distantes em razão das diásporas.

Não havia como enviar mensageiros de Jerusalém para cada região do mundo em que houvesse uma comunidade judaica, apenas para comunicar o início de um novo mês.

Estabeleceu-se então que, nas localidades distantes de Jerusalém, os judeus celebrassem a chegada de um novo mês duas vezes, a primeira considerando que o mês anterior tivesse 29 dias, e a segunda, logo no dia seguinte, considerando que o mês anterior tivesse 30 dias.

Os estudiosos que estabeleceram o calendário definiram uma regra segundo a qual o primeiro dia do ano nunca poderia ser um domingo, uma quarta-feira ou uma sexta-feira.

Assim, ficou estabelecido que os meses de Cheshvan e Kislev ( 8º e 9º meses do ano) poderiam ter 29 ou 30 dias de duração cada, tornando possível o enquadramento do início do ano seguinte à regra.

Os 13 meses

Os 12 meses regulares e o mês adicional do calendário judaico têm seus nomes derivados do antigo calendário babilônico.

Alguns desses nomes já constavam nos textos bíblicos. Os meses são:

  • Nissan: o primeiro mês do ano judaico tem sempre 30 dias de duração;
  • Iyar: tem sempre 29 dias de duração;
  • Sivan: terceiro mês, sempre com 30 dias;
  • Tamuz: 29 dias;
  • Av: 30 dias;
  • Elul: 29 dias;
  • Tishrei: 30 dias;
  • Cheshvan: normalmente tem 29 dias, mas pode ter 30 nos anos completos;
  • Kislev: normalmente tem 30 dias, mas pode ter 29 nos anos incompletos;
  • Tevet: 29 dias;
  • Shevat: 30 dias;
  • Adar I: este é o mês adicional dos anos bissextos; tem sempre 30 dias;
  • Adar II: quando não é ano bissexto, é chamado apenas de Adar; tem sempre 29 dias.

O ano novo judaico

Existem diferentes concepções de ano novo entre os judeus. As duas mais importantes são:

  • O ano novo civil, chamado de Rosh Hashaná, é celebrado no primeiro dia do mês de Tishrei;
    • É nesta data que se acrescenta um ano à contagem do tempo.
    • Em 10 de setembro de 2018 iniciou-se o ano 5779 do calendário judaico, por sinal um ano de 13 meses, que se encerrará em 29 de setembro de 2019.
  • O ano novo religioso, comemorado em 1º de Nissan, corresponde à celebração do Pessach (Páscoa).

A semana no calendário judaico

O calendário judaico está entre os primeiros a adotar a semana, isto é, o intervalo fechado de sete dias.

O número sete tem, ao mesmo tempo, uma correspondência com as fases da lua e uma conotação sagrada (Deus criou o mundo em seis dias e no sétimo descansou).

Os dias da semana no calendário judaico são:

  • Iom rishon: é o primeiro dia da semana; começa na noite de sábado e vai até o final da tarde do domingo;
  • Iom Sheni: da noite de domingo até o final da tarde de segunda-feira;
  • Iom Shlishi: da segunda para a terça-feira;
  • Iom Revii: da terça para a quarta-feira;
  • Iom Chamishi: da quarta para a quinta-feira;
  • Iom Shishi: da quita para a sexta-feira;
  • Iom Shabat: o sétimo dia, que começa na sexta-feira à noite e vai até o final da tarde de sábado.

Entre os judeus, o descanso no sétimo dia é sagrado. Assim, é comum as instituições não funcionarem a partir da sexta-feira à tarde e durante o sábado. Já o domingo é um dia normal.

Conclusão

Apesar de espalhada pelo mundo, a comunidade judaica mantém a unidade em torno de sua cultura e de suas tradições.

O calendário judaico constitui uma peça importantíssima na preservação dessa unidade.