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Calendário Juliano

O calendário juliano foi inicialmente implantado pelo líder romano Júlio César, em 46 a.C., que alterou o antigo calendário romano até o momento usado por todos. O mesmo calendário veio a ser modificado ainda mais em 8 d.C., pelo imperador Augusto, e os nomes dos meses sofreram ainda várias mudanças ao longo do Império Romano.

Uma última modificação foi feita em 1582, pelo Papa Gregório XIII, dando origem ao calendário gregoriano adotado progressivamente por diversos países, e até hoje utilizado pela maioria dos países ocidentais.

Contudo, o calendário juliano, modificado por Augusto, continua sendo utilizado pelos cristãos ortodoxos em vários países. Neste calendário, os anos bissextos ocorrem sempre de quatro em quatro anos, enquanto que no calendário gregoriano não são bissextos os anos seculares exceto os múltiplos de 400, o que hoje acumula uma diferença para o calendário gregoriano de 13 dias.

O calendário romano

O calendário romano foi primeiramente estabelecido por Rómulo à época da criação de Roma em 753 a.C., e tinha 10 meses, totalizavam 304 dias. Foi modificado por Numa Pompílio que o transformou em um calendário luni-solar, com doze meses totalizando 355 dias, sendo que para manter o calendário alinhado com o ano solar, era preciso adicionar um mês extra, mensis intercalaris, de dois em dois anos, fazendo dos anos uma sequência irregular de 355, 377, 355, 378 dias e que ainda dependia de ajustes. O mês extra era adicionado para manter o calendário em sincronia com os eventos sazonais de translação da Terra, mas que nem sempre era preciso.

O calendário juliano

Em 46 a.C., Júlio César, percebendo que as festas romanas em comemoração à estação mais florida do ano, marcadas para março (que era o primeiro mês do ano), caíam em pleno Inverno, determinou que o astrônomo alexandrino Sosígenes corrigisse o calendário.
As modificações realizadas a partir desses estudos modificaram radicalmente o calendário romano: dois meses, Unodecembris e Duocembris foram adicionados ao final do ano de 46 a.C., deslocando assim Januarius e Februarius para o início do ano de 45 a.C. Os dias dos meses foram fixados numa sequência de 31, 30, 31, 30, etc, de Januarius a Decembris, à exceção de Februarius, que ficou com 29 dias e que, a cada três anos, teria 30 dias.

Com estas mudanças, o calendário anual passou a ter doze meses que somavam 365 dias. O mês de Martius, que era o primeiro mês do ano, continuou sendo a marcação do equinócio.

Além destas mudanças, foi também abandonado o formato luni-solar do calendário romano fixando-se em um calendário predominantemente solar, foi também substituido o mês intercalar Mercedonius de 22 e 23 dias por apenas um dia chamado de dia extra que deveria ser incluso após o 25º dia de Februarius, “ante die sextum kalenda martias”, que, em função da forma de contagem dos romanos acabou criando o conceito de ano bissexto, de 366 dias que deveria ocorrer de três em três anos.

Os anos bissextos definidos no calendário juliano aproximavam o ano trópico por 365,25 dias, incorporando pequenos erros no alinhamento das estações ao longo dos anos, que foram corrigidos pelo imperador Augusto em 8 d.C., determinando que os anos bissextos ocorressem de quatro em quatro anos.

Ano da confusão

Pela inclusão destes dois meses Unodecember e Duodecember e mais o mês intercalar Mercedonius, este ano de 46 a.C. acabou ficando com uma aparente duração de 445 dias uma vez que os romanos estavam acostumados a que o ano só findava ao término de Februarius.
Na realidade, os meses de Januarius e Februarius, que seriam os últimos meses do ano de 46 a.C. com a inclusão destes dois meses a mais, passaram a ser os primeiros meses do ano de 45 a.C. Pela confusão que ocorreu, este ano 46 a.C. foi chamado pelos romanos de “Ano da Confusão”, pois, no calendário anterior, os anos já vinham com uma sequência irregular de 355, 377, 355 e 378 dias.

Homenagem a Júlio César

Em 44 a.C., o líder Júlio César foi homenageado pelo senado, que mudou o nome do mês Quintilis para Julius, um mês de 31 dias.

As mudanças de Augusto

Em 8 d.C. o calendário juliano foi mais uma vez modificado pelo imperador Augusto, que modificou a regra de inclusão do dia extra, de três em três anos para quatro em quatro anos. As mudanças incorporadas por ele não são muito lembradas na história, sendo que o calendário com as alterações de Augusto são conhecidos com nome de calendário juliano para a maioria dos efeitos.

Homenagem a Augusto

O senado romano decidiu também homenagear seu primeiro imperador através da mudança do nome do mês Sextilis para Augustus. O mês de Februarius passou de 29 para 28 dias, cedendo um dia para o mês em homenagem a Augusto, que passou de 30 para 31 dias, com mudança também nos demais meses, de 31 para 30 e vice e versa até o fim do ano.

Este calendário ficou em vigor até a Idade Média, sendo que aproximava o ano trópico por 365,25 dias, importando em um dia de erro no alinhamento dos equinócios a cada 128 anos.

Foi por esse motivo que foi novamente modificado pelo Papa Gregório XIII, em 4 de outubro de 1582 quando suprimiu-se 10 dias do calendário juliano e mudou-se a regra do ano bissexto implementada por Augusto.

O novo calendário foi adotado por países onde a Igreja Católica predominava, sendo que a Igreja Ortodoxa não aceitou seguir a mudança, optando pela permanência no calendário juliano o que explica hoje a diferença de 13 dias entre estes dois calendários.