Menu fechado

Calendário Solar

Fazemos parte de uma civilização que há séculos adotou um calendário solar.

Assim, ele nos parece tão natural que temos dificuldade em imaginar a existência de outros tipos de calendário.

Mas sim, existem outros tipos de calendário, alguns ainda em uso.

Neste artigo falaremos sobre os calendários solares, diferenciando-os dos demais tipos de calendário e colocando-os em uma perspectiva histórica.

O que é o calendário solar?

Muito antes de a ciência comprovar que era a Terra que girava em torno do sol, e não o contrário, muitos povos da antiguidade já haviam observado a existência de uma relação cíclica entre ambos.

Mesmo sem recursos avançados, muitos povos souberam estabelecer com espantosa precisão a duração de cada ciclo em torno de 365 dias.

Assim nasceram os calendários solares, especialmente úteis para regular as atividades agrícolas e extrativistas.

O calendário solar permite conhecer com elevada precisão o início de cada estação climática.

Os tipos de calendário

Entretanto, muitos povos também criaram calendários baseados não no ciclo solar e sim nas fases da lua.

Por formarem ciclos de curta duração, as fases da lua eram muito mais facilmente percebidas.

Assim surgiram os calendários lunares, formados por ciclos que se iniciavam a cada ocorrência da lua nova.

Um ciclo da lua tem sua duração em torno de 29 ou 30 dias.

Alguns povos promoveram  a junção dos dois calendários, adaptando os ciclos menores da lua dentro do ciclo solar. Assim nasceram os calendários lunissolares.

Resumindo, temos:

  • O calendário solar, baseado no ciclo de 365 dias, que corresponde ao movimento de translação do planeta Terra.
    • Nesse tipo de calendário, não há nenhuma relação com o ciclo da lua, nem mesmo na definição dos meses.
  • O calendário lunar, baseado no ciclo de 29 ou 30 dias, que engloba as quatro fases da lua.
    • No calendário lunar puro, não existe a preocupação em manter um sincronismo com o ciclo solar, nem mesmo para marcar as estações do ano.
  • O calendário lunissolar, que estabelece um ano baseado no ciclo solar e meses regidos pelos ciclos da lua.
    • Existe uma defasagem entre o calendário lunar e o calendário solar, pois 12 ciclos da lua correspondem a aproximadamente 354 dias, enquanto 13 ciclos perfazem 384 dias.
    • Para sincronizar os dois ciclos, são incluídos meses complementares de tempos em tempos.

Além desses, existem outros tipos de calendário, menos comuns, baseados em ciclos diversos.

Um exemplo é o do povo maia, que além de um calendário solar, adotava um calendário religioso formado por 13 ciclos de 20 dias, além de um calendário para as guerras, baseado no ciclo do planeta Vênus.

O primeiro calendário solar

O mais antigo calendário solar conhecido é o egípcio, do ano 2700 a.C., aproximadamente. Até então, existiam os calendários lunares.

Naquela época, o período de inundações do Rio Nilo era de extrema importância para que os egípcios regulassem toda a sua atividade agrícola.

Então, eles notaram que o início desse período de inundações sempre coincidia com o surgimento da estrela Sirius.

O aprofundamento dos estudos desse fenômeno deu origem ao calendário solar, que os egípcios adotaram em conjunto com outros calendários.

O calendário solar egípcio é formado por 12 períodos de 30 dias cada, perfazendo um total de 360 dias.

Ao final desses 360 dias, havia outros cinco, dedicados às divindades Osíris, Horus, Ísis, Neftis e Set, completando 365 dias.

Já naquela época, os egípcios sabiam que o ciclo solar durava 365 dias e 6 horas, mas no início não se preocuparam em fazer ajustes.

O período de 30 dias, por sua vez, era dividido em três “semanas”, de dez dias cada.

O ano solar egípcio apresentava três períodos bem definidos:

  • Akhet: o período marcado pelas inundações do Rio Nilo; as inundações fertilizavam o solo, tornando-o propício para o plantio.
  • Peret: o período para o início do plantio, depois das cheias;
  • Shemu: a estação seca, em que se realizava a colheita.

Outros calendários solares

Além dos egípcios, outros povos adotaram calendários solares, desenvolvendo-os por iniciativa própria ou sendo influenciados por outras culturas.

Esses foram os casos dos maias, dos persas e dos romanos, entre outros.

No calendário solar maia, o ano era composto por 18 ciclos de 20 dias cada, acrescido de cinco dias avulsos.

O calendário persa tem 12 meses, sendo os seis primeiros compostos por 30 dias, os cinco seguintes por 30 dias e o último por 29 ou 30 dias.

Já os romanos adotaram um calendário solar a partir do ano 45 a.C., por imposição de Júlio César. Por essa razão, esse calendário tornou-se conhecido como calendário juliano.

O atual calendário gregoriano, adotado na maior parte do mundo, é derivado do calendário juliano.

Também são derivados do calendário juliano o calendário etíope e o calendário solar tailandês, entre outros.

Sobre a precisão do calendário solar

Uma questão importante em relação aos calendários solares diz respeito à sua precisão.

Isso porque não existe uma correspondência exata entre a duração do ciclo solar e a duração do dia, a unidade básica de qualquer contagem de tempo.

Como sabemos, o dia tem 24 horas e o ano é formado por 365 dias completos mais 5 horas, 48 minutos e 46 segundos.

Essa diferença de quase seis horas a cada ano, se acumulada por um longo período, poderia  deixar o calendário defasado, tornando-o impreciso para as finalidades que justificaram sua criação.

Mas, conforme já citado, desde cedo os criadores dos calendários solares identificaram a existência dessa diferença. Em algum momento mecanismos de ajuste foram estabelecidos.

A forma mais comum de se ajustar o calendário ao ciclo solar é através da inclusão de um dia em determinados anos.

No calendário gregoriano, por exemplo, temos o ano bissexto, composto por 366 dias, que ocorre em ciclos de 4 anos, com uma exceção a cada ciclo de 400 anos.

Enquanto isso, o calendário persa tem uma sistemática mais complexa de ajustes, agrupando os anos em ciclos diferenciados. O resultado final é um calendário mais preciso que o gregoriano.

Com todos os seus ajustes, em relação ao ciclo solar real, o calendário persa acumula um dia de atraso a cada 3,8 bilhões de anos. O calendário gregoriano atrasa um dia a cada 3320 anos.

No haab, o calendário solar maia, não há acréscimos de dias para ajuste, o que levou muitos estudiosos a concluir que os maias teriam ignorado a existência da defasagem.

Entretanto, alguns estudos sugerem que os maias não só conheciam a defasagem como a controlavam com elevada precisão. Há, por exemplo, registros que citam ciclos de 1508 anos no haab, que correspondem a exatos 1507 ciclos solares.

Conclusão

A criação do calendário solar na antiguidade chama a atenção para a capacidade de observação dos estudiosos da época.

De forma independente e sem qualquer equipamento sofisticado para observações, diferentes povos foram capazes de estabelecer ciclos extremamente precisos de passagem do tempo.

Ao longo da história, a humanidade foi caminhando da necessidade de controlar estações do ano para a necessidade de controlar meses, semanas, dias, horas, minutos, segundos.

Hoje não há atividade humana que não esteja atrelada ao calendário, um calendário solar na maior parte das vezes.