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Calendários Lunares

O que são calendários lunares? Ainda estão em uso? Quem os utiliza?

Calendários lunares possivelmente estão entre os mais antigos desenvolvidos pela humanidade e ainda hoje são adotados em determinados contextos.

Como se pode deduzir, são calendários baseados nas fases da Lua, que formam ciclos com periodicidade bem definida.

Neste artigo você vai conhecer um pouco da história e das características dos calendários lunares.

A noção e a necessidade do tempo

Os calendários lunares eram uma forma de calcular o tempo.
Os calendários lunares eram uma forma de calcular o tempo.

A noção de tempo para o ser humano é muito antiga, assim como sua necessidade de tê-lo como referência.

Hoje, muito de nossa jornada é determinada pelas horas, minutos e até segundos em que cada coisa deve acontecer.

Mas isso nada mais é que uma evolução em curso.

Há alguns milhares de anos, importava saber quando era tempo de caçar, de pescar e de procurar abrigo.

Depois viriam as preocupações com a determinação da época de plantar e de colher, e assim sucessivamente.

Portanto, há muito tempo o ser humano aprendeu a marcar a passagem do tempo. Para isso, utilizou-se de fenômenos contínuos e repetitivos, como a alternância entre o dia e a noite, as fases da Lua e as estações climáticas.

Pesquisadores encontraram registros de marcação do tempo feitos há mais de vinte mil anos, contendo referências às fases da Lua.

Características dos calendários lunares

Os calendários lunares levam em conta os ciclos da lua.
Os calendários lunares levam em conta os ciclos da lua.

O ciclo completo da Lua, com suas quatro fases, tem uma duração que pode variar entre 29 dias e 6 horas e 29 dias e 20 horas.

Assim, a  duração média do ciclo é de 29 dias, 12 horas, 44 minutos, 2 segundos e 8 décimos de segundo.

Esse período variável entre 29 e 30 dias deu origem ao conceito que hoje conhecemos como mês. Um mês do calendário lunar normalmente inicia-se na lua nova.

A rigor, um calendário lunar puro não necessita do conceito de ano, uma vez que não existe nele a preocupação em marcar, de forma sincronizada, fenômenos como as estações climáticas.

Entretanto, os principais calendários lunares em toda a história estabeleceram períodos mais longos, como os de doze ciclos da Lua, criando unidades de tempo razoavelmente próximas ao ano solar.

Calendários lunares na história

Os calendários lunares fazem parte das nossas vidas desde a Antiguidade.
Os calendários lunares fazem parte das nossas vidas desde a Antiguidade.

Calendários lunares estão presentes na história das principais civilizações da Antiguidade.

Há cerca de 4.000 anos, vigorou na Babilônia um calendário lunar, formado por doze ciclos de 29 ou 30 dias cada, perfazendo um total de 354 dias.

O período de 29 ou 30 dias corresponde a um ciclo completo da Lua, isto é, a passagem pelas suas quatro fases (nova, crescente, cheia e minguante).

No Egito também chegou a ser utilizado um calendário lunar, porém, a vida da sociedade local dependia muito do período de cheias do Rio Nilo e o calendário lunar não conseguia apontar com precisão a época em que esse fenômeno ocorria.

Assim, os egípcios desenvolveram um calendário baseado no ciclo das estações climáticas, que compreendia um período de 365 dias.

Esse calendário egípcio é, possivelmente, o primeiro calendário solar da história.

Os antigos calendários hindus

No século XX, o governo da Índia adotou um calendário oficial solar.

Mas, durante muitos séculos, diversos calendários estiverem em uso na região, a maioria de natureza lunar.

Um fato interessante a respeito dos antigos calendários lunares hindus é que em algumas regiões, adotava-se a lua nova como marco para o início de um mês, enquanto em outras regiões, adotava-se a lua cheia.

O calendário romano

O antigo calendário romano, cuja criação é atribuída ao próprio Rômulo, fundador de Roma, era, originalmente, um calendário lunar.

Ele era composto por dez meses de 30 ou 31 dias, perfazendo um ano de 304 dias. à margem do calendário, havia um período de 61 dias, que coincidia com o inverno.

Houve posteriormente uma reforma, que aproximou o calendário romano de um típico calendário lunissolar, por influência do calendário grego.

Esse calendário esteve vigente até o ano 46 a.C., quando Júlio César, governante romano do período de transição da República para o Império, impôs o calendário juliano.

Naquela altura, o calendário romano havia acumulado uma série de distorções, com os festejos da chegada da estação das flores ocorrendo em pleno inverno.

O calendário islâmico

Nos dias atuais, o principal calendário lunar ainda em uso é o islâmico. Ele é o calendário oficial de boa parte dos países que têm o islamismo como sua religião oficial.

Entretanto, há também países islâmicos que convivem com outros calendários (por exemplo, o gregoriano).

E há ainda comunidades muçulmanas que procuram seguir o calendário islâmico mesmo vivendo em países que seguem outra tradição cultural e religiosa.

No calendário islâmico, o ano é formado por 12 meses, ou seja, por 12 ciclos completos da Lua.

Cada mês se inicia na Lua Nova e tem 29 ou 30 dias de duração. O ano lunar pode ter 354 ou 355 dias.

A cada ciclo de 30 anos lunares, há uma alternância pré-estabelecida de 11 anos com 355 dias e 19 anos com 354 dias de duração.

A contagem de anos no calendário islâmico tem início com a fuga do profeta Mohammad (Maomé) de Meca para Medina.

Esse evento é o marco inicial da própria religião islâmica e no calendário juliano/gregoriano, corresponde ao ano 622.

Assim, considerando-se esse início de contagem dos anos e o fato de o ano lunar ser mais curto que o ano solar, aqueles que seguem o calendário islâmico encontram-se no ano de 1440, cuja vigência, pelo calendário gregoriano, ocorre entre os dias 12 de setembro de 2018 e 31 de agosto de 2019.

Outros usos do calendário lunar

Os calendários lunares são usados em outros calendários também.
Os calendários lunares são usados em outros calendários também.

Além do calendário islâmico, encontramos referências ao uso de calendários lunares em diferentes situações, como:

  • Para prever o nível das marés, informação de extrema utilidade para pescadores e surfistas;
  • A própria igreja cristã, ao estabelecer o seu modo de determinar o dia de Páscoa, acabou preservando um elemento típico do calendário lunar, de tal sorte que essa data comemorativa sempre cai entre o dia 15 e o dia 21 do mês lunar.

Também cabe citar os calendários chamados lunissolares, que carregam características comuns aos calendários lunares. Exemplos: calendário judaico e calendário chinês.

Conclusão

Um fato relevante deve ser ainda considerado, independentemente do uso de um calendário lunar.

Na cultura popular, a Lua e suas fases são consideradas importantes variáveis, que exercem influência em diversos aspectos da vida.

É por isso que, mesmo no calendário solar, muitas pessoas continuam a consultar as mudanças de fase da Lua.

Cientificamente, a única comprovação que existe a respeito da influência da Lua sobre a Terra está no movimento das marés.

De qualquer forma, a Lua é, a milhares de anos, um importante ponto de referência para o ser humano.

Por sua vez, os calendários lunares foram determinantes para o desenvolvimento histórico da civilização.