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Salem e a história das bruxas

bruxas de salem

Quem é fã de filmes de terror certamente já ouvir falar da famosa história das Bruxas de Salem. As Bruxas de Salem já inspiraram uma série de filmes, livros e até mesmo série de televisão. Até certo ponto, uma parte considerável das pessoas conhece do que se trata o assunto.

Entretanto, o que talvez nem todos saibam é que as bruxas de Salem realmente existiram. Ou melhor dizendo, a polêmica e chocante história das bruxas de Salem é baseada em fatos reais.

Você gostaria de saber tudo sobre Salem e os fatídicos eventos que acabaram gerando uma infinidade de obras, sejam históricas ou culturais? Então não pode deixar de ler esse artigo até o final!

A cidade de Salem

A cidade de Salem é uma pequena e simpática cidade localizada no estado americano de Massachussets. Nos dias atuais, ela possui cerca de 40 mil habitantes e, junto com a cidade de Lawrence, ela compõe o condado de Essex.

A região onde fica Salem era uma colônia da Inglaterra, dividida por uma série de ataques indígenas e que sofria intensamente com as acirradas disputadas por terras e uma infinidade de pequenos crimes.

Naquela época, o governo local era comandado pelos puritanos, um grupo religioso de religião protestante. Lá a igreja controlava tudo, era a detentora de todo o poder e detentora de toda a voz ativa nos assuntos da cidade.

Com costumes profundamente conservadores, a população local apregoava que as mulheres deveriam ser submissas aos homens.

O contexto histórico e social

As bruxas de Salem ficaram muito famosas e viraram até filme.
As bruxas de Salem ficaram muito famosas e viraram até filme.

Os terríveis e complexos acontecimentos de Salem se deram entre os anos de 1692 e 1693, na cidade de Salem, que ficava no que até então era a Província Colonial de Massachusetts. Entretanto, os pensamentos, valores e visões de mundo que fomentaram tais fatos tem suas raízes em uma época muito mais remota.

Lá por volta do ano de 1300, a famigerada ‘bruxaria’ começou a conquistar espaços em solo europeu. Inúmeros cristãos e afins afirmavam que o diabo era capaz de fornecer poderes a determinadas pessoas, possibilitando a elas lançar feitiços e fazer magias diversas contra outros e jogar uma maldição naquele que as cercava. Muitos tinha medo dessas bruxas, outros solicitavam-lhes ajuda para realizarem sua vingança contra os seus desafetos.

Naquele período, em um momento muito crucial da Idade Média e no qual a Igreja Católica ainda era a detentora de todo o poder e controlava tudo, a sociedade tinham um grau absurdamente grande de devoção e temor a Deus.

Além disso, a ideia de que determinadas mulheres eram possuídas pelo capeta e circulavam por aí espalhando e difundindo o mal era algo totalmente inaceitável. Como uma forma de combater esse terror, qualquer suspeita, por mínima que fosse, de envolvimento em atos de bruxaria ou que ao menos fossem considerados como tal, a condenação à morte era o acontecia com mais frequência. Segundo informações da revista do Museu Smithsonian, centenas de pessoas foram queimadas vivas, enforcadas ou então executadas, sem falar nas torturas.

As bruxas de Salem

A história das bruxas de Salem aparece justamente no momento em que a caça às bruxas começa a sumir na Europa, contudo as circunstâncias daquele instante instigaram a que o fenômeno da bruxaria tomasse corpo nesta região. Com a Guerra do Rei William muitas regiões foram destroçadas e milhares de pessoas foram forçadas a deixar as suas casas e a se refugiarem-se em outros lugares: um deles foi a vila de Salem, em Massachusetts.

A vinda destes refugiados ocasionou um clima de tensão e desconfiança em Salem. As famílias da terra, cuja subsistência era oriunda da economia produzida pela baía, não desejam se envolver com essas pessoas recém-chegadas.

Além disso tudo, a nomeação do reverendo Samuel Parris, em 1689, como ministro puritano de Salem, casou uma espécie de controvérsia pois muitas pessoas não iam com a cara do reverendo, falando que ele era duro demais e muito “mão-de-vaca”. Os residentes daquela vila passaram a ver as transformações negativas que ocorriam nos últimos tempos como uma obra do Demônio e tinham medo do que poderia vir a acontecer.

A semente da história das bruxas de Salem

As bruxas sempre foram alvo de mitos e lendas, como as bruxas de Salem.
As bruxas sempre foram alvo de mitos e lendas, como as bruxas de Salem.

No mês de fevereiro de 1692, ao longo de um inverno absurdamente frio, Betty Parris, a filha de 9 anos do ministro religioso de Salem, foi contaminada por uma doença esquisita. Ela se torcia horrores de dor, berrava muito, estava sofrendo de febre e reclamava para o médico da vila que ela tinha a impressão estar recendo uma picada.

Nos dias atuais, a ciência tenta explicar a doença como sendo uma mistura de asma, epilepsia e que também era possível que ela tivesse sofrido abuso de caráter sexual. Outra teoria formulada é que a menina teria ingerido acidentalmente um fungo contido no pão. Porém, naquele época, ninguém tinha a menor noção do que poderia ser.

O curioso é que outras seis meninas, incluindo aí uma prima de Betty, também apresentaram os mesmos sintomas. Elas se contorciam em posições grotescas e falavam que estavam sentindo como se tivessem sendo picadas ou mordidas por alguma coisa. O médico William Griggs começou então a achar que a origem desse male seria sobrenatural. A família ficou obcecada com essa possível ideia.

Os julgamentos e condenação

Naquele período, um livro escrito por Cotton Mather, Memoráveis Providências contava o caso de uma lavadeira da cidade de Boston que era suspeita de cometer bruxaria. Uma das garotas que estavam com o problema apresentava algumas atitudes estranhas, que remetiam a bruxa. Isso serviu como estopim para gerar uma enorme e intensa onda de medo.

A primeira suspeita de bruxaria foi a escrava Tituba (cuja origem não se sabe ao certo até hoje) que contava lendas de bruxas e vodus do folclore de sua terra natal para as garotas. As meninas incriminaram outras mulheres como as responsáveis pelo “feitiço”. No intuito de se livrar da condenação à forca, Tituba confessou que era bruxa e voava com diversas parceiras de magia.

Outras acusadas entraram na onda de Tituba e começaram a assumir que estavam atormentando as garotas a pedido do próprio demônio. O governador William Phips fundou uma corte para realizar o julgamento dos casos de bruxaria, composto por cinco juízes. Os réus não possuíam o direito de ter testemunhas para deporem à favor delas.

A primeira bruxa

A primeira mulher a ser julgada foi Bridget Bishop. Um tanto isolada socialmente e envolvida em brigas com a vizinhança, era ré ideal. Além dela ter sido entregue por outras “bruxas” confessas, uma testemunha alegou que tinha visto Bridget roubando ovos e transformado a si própria em um gato. A condenação foi de morte por forca.

Um contingente acima de 150 suspeitos foram presos. Aconteceu 20 execuções, englobando-se aí um homem esmagado com o uso de pedras.  Dois cães também foram condenados à morte, sob a acusação de terem sido comparsas das bruxas de Salém. Outro choque foi uma garotinha de somente 4 anos, Sarah Good, que havia sido incriminada pelas crianças. A menina ficou oito meses na prisão.

George Burroughs, um ministro da igreja, condenada à forca como sendo líder das bruxas e por enfeitiçar soldados em uma campanha fracassada contra os índios. Pesquisadores da área de História afirmam que os juízes se esforçaram no julgamento para transferir como uma forma de tentar lavar a alma pela sua incompetência no controle das fronteiras.

Os julgamentos finais aconteceram no mês de abril de 1693. A maior parte das condenações foi revisada entre o fim do século 17 e o começo do século 18. Atualmente, esse episódio é classificado como sendo um exemplo evidente de histeria coletiva.

Filmes e séries inspirados nas bruxas de Salem

Existem diversos filmes inspirados nas bruxas de Salem, mas alguns dos mais conhecidos são:

  • Filme: “As Bruxas de Salem” (1996);
  • Filme: “A Donzela de Salem” (1937);
  • Filme: “As senhoras de Salem” (2012);
  • Série: “Salem” (2014)

Livros inspirados na história das bruxas de Salem

  • “O livro perdido das bruxas de Salem” de Katherine Howie
  • “Salem – A hora do vampiro”, de Stephen King
  • “As bruxas de Salem”, de Arthur Miller
  • “Lágrimas em Salem”, de Mandy Porto
  • “De volta a Salem”, de Jake dos Santos

Desvendando Salem

Certamente o que aconteceu nos filmes e livros sobre Salem tem doses cavalares de ficção, fantasia e romance. Contudo, o pé na realidade existe em partes, ainda que os acontecimentos reais tenham sido diferentes e tido outras causas. Como citado, o ocorrido em Salem foi um exemplo de histeria coletiva, propiciado pelo clima de medo e tensão que reinava na época.