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Dia da Saudade – 30 de janeiro

dia da saudade

Recentemente, um dos jogadores brasileiros de futebol mais famosos do mundo poderia ter se tornado o paraninfo, o representante do Dia da Saudade. Usou uma frase durante um flerte com uma garota que acabou virando meme nas redes sociais: – “Estou com saudade daquilo que a gente não viveu”.

Porém, apesar de ter virado brincadeira na internet, o rapaz expressou algo plenamente possível quando se trata desse sentimento estranho: saudade. Ele é tão complexo, como você já sabe e vai ver aqui, que é mesmo possível sentir nostalgia por situações não vividas.

Dessa maneira, dizem que o sentimento que mais se aproxima do sentimento-mor chamado Amor é a saudade. Talvez seja por isso que haja um dia do ano para se refletir sobre ele, o Dia da Saudade, 30 de janeiro.

Complexa por si mesma

dia da saudade 30 de janeiro
A saudade é um dos sentimentos bem intensos e celebrado no dia 30 de janeiro.

Todos os sentimentos experimentados pelos seres vivos têm intensidade. Contudo, os mais românticos dizem que saudade é o único sentimento que, além de intensidade, tem cheiro, cor, espessura, sabor, propósito, motivo. E som em especial.

Hum… como assim? – É o que você deve estar se perguntando. – Nunca senti cheiro ou ouvi barulho de saudade. Nem experimentei sabor nem vi cor de saudade.

Bem, é muito provável que você vá mudar de opinião ao fim deste artigo. Afinal, vai ver histórias de situações sobre o Dia da Saudade, motivos para existir um Dia da Saudade, exemplos de vida no Dia da Saudade, além de curiosidades diversas sobre saudade.

Além disso, vai conhecer Christian, Jorge, Burke e outras personagens tradutoras do que realmente é o Dia da Saudade.

O Dia da Saudade representa a palavra mais usada:

  • nas canções
  • nos poemas
  • nas cartas de amor
  • no cinema e na literatura romântica
  • nas coroas fúnebres
  • nos manifestos de heroísmo

Nesse caso, se houvesse um levantamento sobre isso, certamente o termo “saudade” estaria no topo geral.

Dia da Saudade: questões técnicas

dia da saudade: definição
Saudade tem definição em dicionário.

Parece incrível que haja como usar tecnicidade quando se trata de sentimentos. Para poetas e românticos em geral, é realmente difícil crer.

Contudo, antes de a gente deixar que o sentimentalismo puro tome conta deste artigo, veja algumas questões técnicas sobre o Dia da Saudade.

Significado técnico

Pelo dicionário Priberam:

substantivo feminino

  • Lembrança grata de pessoa ausente, de um momento passado, ou de alguma coisa de que alguém se vê privado.
  • Pesar, mágoa que essa privação causa.
  • [Botânica] Planta (Scabiosa atropurpurea) da família das dipsacáceas. (Mais usado no plural)

sau-da-des
substantivo feminino plural

  • Boas lembranças ou recordações (ex.: a antiga chefe não deixou saudades)
  • Cumprimentos a alguém (ex.: mande-lhe saudades minhas)

Pelo dicionário Michaellis

  • Sentimento nostálgico e melancólico associado à recordação de pessoa ou coisa ausente, distante ou extinta, ou à ausência de coisas, prazeres e emoções experimentadas e já passadas, consideradas bens positivos e desejáveis; sodade, soidade
  • Música – Cantiga entoada por marinheiros em alto-mar
  • Lembranças ou cumprimentos afetuosos de quem sente a ausência de outrem<

Pelo dicionário Aurélio

  • Lembrança grata de pessoa ausente ou de alguma coisa de que alguém se vê privado
  • Pesar, mágoa que essa privação causa
  • Planta dipsacácea
  • Nome de várias espécies de plantas com flores de cores variadas
  • Boas lembranças ou recordações
  • Cumprimentos a alguém

Origem do termo

dia da saudade origem
Saudade deriva do termo em latim que significa solidão.

Etimólogos e profissionais de textos afirmam que todo idioma é “um organismo vivo sempre em alteração”. Assim, palavras entram e saem dos vocabulários ao bel-prazer de um povo e suas necessidade culturais. É o caso de gírias, por exemplo. Houve uma época em que “broto” significou o que hoje é o mesmo que “mina” ou “menina bonita”.

Ainda, há muito tempo, a palavra “formidável” se referia a alguém assombroso, capaz de causar pânico e medo. Ou seja, sempre foi adjetivo, mas, antes, tinha carga negativa, era termo depreciativo. Todavia, hoje, é elogio.

Nota: Etimólogos são estudiosos da origem das palavras e suas cargas de sentido, ou seja, etimologia.

Nesse cenário, sabe-se que “saudade” nasceu do termo em latim “solitatem” (ou “solitas”) que, por si, significa “solidão”. Entretanto, com o passar do tempo, foi se transformando em “soidade” no português-galego, que era a forma da língua românica falada durante a Idade Média nas regiões de Portugal e da Galiza.

Por sua vez, a forma “soidade” originou o formato arcaico “soudade”.

Ocorre que o cérebro humano vai “acomodando” sons de acordo com praticidade. Há diversos exemplos desse “fenômeno”. O pronome “você” é um deles. Nasceu de “vossa mercê”, passou para “vos mercê”, depois para “vosmecê” e, agora, é “você”. Atualmente, usa-se até mesmo a forma “cê”.

Assim, de “soudade”, o termo passou para “saudade” por influência sonora das palavras “saúde” e “saudar”. Sim, isso ocorre.

Complexidade semântica (do sentido)

Há milhares de palavras nos milhares de idiomas cujos significados são compreendidos fielmente apenas pelos povos que as usam. Ou seja, elas são verdadeiros infernos para os profissionais de tradução. Afinal, o tradutor precisa transferir o sentido dos termos o mais próximo possível da origem.

Assim, tradutores elegeram as palavras mais difíceis de traduzir. Algumas delas estão em língua ou dialeto africano, outras em polonês. A palavra representante da Língua Portuguesa é, claro, “saudade”.

Esse não é motivo para existir um Dia da Saudade, lógico, mas poderia ser um deles. Afinal, “saudade” é considerada a sétima palavra do mundo mais difícil de ser significada em outros idiomas.

Interessante: há noção geral – que é praticamente uma lenda – a respeito de a palavra “saudade” ser única no mundo. Ou seja, não haveria nenhum idioma que pudesse se referir a esse sentimento com uma só palavra. Para isso, tais idiomas recorreriam a três, quatro, cinco ou mais termos para expressar o mesmo sentimento.

Porém, como a gente comentou, é apenas uma lenda. Acontece que a empresa britânica Today Translations reforçou essa ideia quando promoveu o ranking acima. Ou seja, das palavras mais difíceis de se traduzir de maneira adequada.

Dia da Saudade: questões poéticas

Bem, agora, sim, a gente vai entrar no lado que mais interessa aos leitores. O que é “saudade”, afinal? Por que há um Dia da Saudade?

A poesia, representada em todos os seus instrumentos – literatura, cinema, teatro, cartas etc. -, está plena do termo “saudade”. Por si apenas, já seria motivo para existir um Dia da Saudade. Afinal, a palavra pode ser manifestada em centenas de tipos de situações.

Assim, há centenas de grandes poemas construídos por algumas dezenas de grandes poetas no mundo inteiro. Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Pablo Neruda, Menotti Del Picchia, Cora Coralina, dentre outros, criaram textos fantásticos.

Dia da Saudade na Música

Todos eles poderiam ser representantes do Dia da Saudade. Entretanto, há um poema em Língua Portuguesa altamente eficiente em descrever o termo. Ainda mais quando cantado por Zizi Pozzi.

Pedaço de Mim – Chico Buarque

Oh, pedaço de mim,
Oh, metade afastada de mim,
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento;
É pior do que o esquecimento,
É pior do que se entrevar.

Oh, pedaço de mim,
Oh, metade exilada de mim,
Leva os teus sinais;
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais.

Oh, pedaço de mim,
Oh, metade arrancada de mim,
Leva o vulto teu;
Que a saudade é o revés de um parto.
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu.

Oh, pedaço de mim,
Oh, metade amputada de mim,
Leva o que há de ti;
Que a saudade dói latejada.
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi.

Oh, pedaço de mim,
Oh, metade adorada de mim,
Lava os olhos meus;
Que a saudade é o pior castigo.
E eu não quero levar comigo
A mortalha. Adeus!


Saudade de Itapoã – Dorival Caymmi

Coqueiro de Itapoã, coqueiro
Areia de Itapoã, areia
Morena de Itapoã, morena
Saudade de Itapoã me deixa
Oh vento que faz cantiga nas folhas
No alto dos coqueirais
Oh vento que ondula as águas
Eu nunca tive saudade igual
Me traga boas notícias daquela terra toda manhã
E joga…

Dia da Saudade na Literatura

Suspiros Poéticos e Saudades

Gonçalves de Magalhães, um dos maiores escritores do Romantismo brasileiro, publicou Suspiros Poéticos e Saudades em 1836. Aliás, a obra que praticamente instituiu a escola Romântica no país.

Meus oito anos – Casemiro de Abreu

“Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!”

[…]

E despertava a cantar!

Interessante: talvez não haja autor brasileiro mais representativo do Dia da Saudade que Casemiro de Abreu. Não à toa, é chamado constantemente de O Poeta da Saudade. O trecho acima faz parte de uma obra maior.

Dia da Saudade: situações emocionantes

A internet está cheia de histórias comoventes, tocantes e emocionantes. Aliás, envolvem todos os seres vivos, incluindo-se aí até mesmo plantas. Haja vista o livro Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos.

E todos conhecem a história de Hachiro, o cão da raça Akita do filme Sempre ao seu lado, com Richard Gere. Ele passou anos diante da estação de trem para onde acompanhava o dono todas as manhãs. E, também, onde ia esperá-lo todas as tarde. E passou todo esse tempo após a morte do dono.

Reencontros

Uma câmera amadora registrou um encontro fantástico. Giorgi Bereziane é um senhor de 62 anos morador de Tblisi, Georgia. Ele conviveu com Jorge por anos a fio. Entretanto, num dia qualquer, o amigo de longa data desapareceu.

Bereziane moveu montanhas por mais de três anos incansavelmente. Já tinha perdido as esperanças quando alguém mencionou possibilidade de ter encontrado o paradeiro do amigo. Durante todo aquele tempo, o homem houvera perseguido todas as pistas possíveis.

Assim, rumou para o local e, finalmente, a saudade de ambos teve fim. Tanto Bereziane quanto Jorge se jogaram um nos braços do outro assim que se viram. O primeiro, com um sorriso largo e a alma lavada; o segundo, balançando a cauda e as orelhas baixadas de emoção; ambos, com o coração aos pulos.

Nunca mais se separaram. O cãozinho, velho amigo, e o idoso agora têm mais um motivo para comemorar o Dia da Saudade.

Nas garras da saudade

Em 1969, Burke e Rendall, dois amigos ingleses, encontraram um filhote de leão. Ele estava à venda na Harrods, um grande – nos tempos em que havia grandes magazines e não grandes shoppings centers – em cidadezinha próxima a Londres. Naqueles anos, as leis sobre posse de animais eram muito mais brandas, quase inexistentes.

Então, optaram por comprar e cuidar do mascotinho com auxílio de suas esposas. E Christian se adaptou tão bem ao ambiente que agia como animal de estimação. Ou melhor, como animal normal de estimação.

Passeavam no parque, brincavam de pega-pega no quintal, de esconde-esconde. Os três se tornaram inseparáveis. Christian não demonstrava qualquer predileção pelos dois. Bastava que estivesse na presença de qualquer um para estar feliz.

Entretanto, a natureza estava agindo e fazendo o já não mais leãozinho crescer. Assim, ficou muito difícil manter o animal em casa. Mesmo porque, a vizinhança passou a se preocupar muito. Então, eles precisaram se separar.

Depois muita conversa, choros e lamentos, resolveram soltar Christian em um habitat adequado. O olhar do animal no momento da despedida marcou para sempre a vida dos dois amigos. Enfim, se separaram. Christian foi levado para a África, numa reserva de propriedade de George Adamson.

Saudade insuportável

Contudo, Burke, aos poucos, deixou-se levar pela tristeza e entrou em depressão. Sua esposa já estava preocupada. O amigo Rendall sugeriu que voltassem à reserva à procura do amigo felino.

Veterinários e zoólogos tentaram demover os dois da ideia de rever o amigo. Afinal, já se tinham passado anos e o animal, certamente, não os reconheceria. Mas os dois foram, pois estavam decididos.

O reencontro foi fenomenal, digno de roteiro de cinema. Os dois procuraram por Christian durante várias horas. Havia outros leões no local, mas o olhar de um deles chamou a atenção. De longe, Christian foi se aproximando, sorrateiro, olhos fixos “em suas presas”.

Então, jogou-se nos braços dos amigos.

Dia da Saudade, do Cheiro, do Sabor, do som

Neurologistas e outros especialistas dizem que a saudade altera o funcionamento do cérebro. Ou seja, incentiva fluxo sanguíneo em determinadas regiões cerebrais. Dependendo do local, causa efeitos dos mais diversos.

É por isso que algumas pessoas reagem com tristeza profunda, com estresse insuportável, com depressão desanimadora; outras, expressam suas saudades com simples palavras de nostalgia. E isso acontece em determinadas situações.

Essas regiões são ativadas a partir de odores (do perfume da pessoa amada na adolescência, de mato, do cheiro de um ambiente qualquer etc.), de sabor (da comida da mamãe, na torta da tia, da fruta do quintal etc.), do som (um tom de voz, uma canção antiga, a batida de um objeto no outro etc.).

É por isso que se diz que o Dia da Saudade reflete o único sentimento que tem sabor, som, cheiro.

E você, certamente, tem alguma situação vivida que causa saudade. Por que não a deixa registrada abaixo na área de comentários?