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Dia de São Francisco de Assis

dia de Sao Francisco de Assis

O Dia de São Francisco não é apenas de um santo. Ou seja, nesse dia, seus devotos não se restringem a oferecer hosanas em sua homenagem. Sua representatividade vai além de si mesmo.

Como se sabe, os panteões são numerosos no mundo tanto quanto são numerosas as religiões (“panteão” é conjunto de santos e deuses de uma crença). Cada um deles consagra seus santos ou entidades ou mesmo deuses a situações específicas. Assim, há santos e deuses para:

  • Fortuna
  • Vida amorosa
  • Prosperidade
  • Saúde
  • Bem-estar emocional

Etc. etc. etc. Poucos santos/deuses têm mais de uma situação pela qual salvaguardar seus devotos. É o caso do Santo Protetor dos Animais ou Santo dos Humildes ou ainda Santo da Natureza/Ecologia e, mais um, Santo dos Pobres. É no Dia de São Francisco que se comemora tudo isso.

Este artigo é sobre o homem, o “delinquente”, o inconsequente, o visionário, o ideólogo, o construtor de uma nova visão sobre os ensinamentos de Cristo. Ou seja é sobre 04 de outubro, Dia de São Francisco.

Celebração do Dia de São Francisco

As homenagens do Dia de São Francisco são organizadas em todo o país.
As homenagens do Dia de São Francisco são organizadas em todo o país.

As homenagens do Dia de São Francisco são organizadas em todo o país e em Portugal especialmente. Paróquias de todas as regiões preparam missas específicas, padres elaboram sermões apropriados à postura do santo, fiéis distribuem alimentos e agasalhos.

Defensores católicos da natureza também se reúnem para discutir meios e ações populares para conscientização social. Esse dia também é Dia do Cachorro, razão pela qual admiradores de diversas raças se manifestam em concursos, gincanas, shows, brincadeiras.

Não à toa, o Papa atual, Jorge Mario Bergoglio, escolheu Francisco como seu identificador à posteridade, ainda que seja jesuíta e não franciscano.

Dia de São Francisco, o homem

O dia de São Francisco de Assis é digno de todas as homenagens.
O dia de São Francisco de Assis é digno de todas as homenagens.

Ele nasceu Giovanni di Pietro di Bernardone em Assis, Itália, nos últimos anos da penúltima década do século 12. O pai, Pietro di Bernadone dei Moriconi, era comerciante. A mãe, Pica Bourlemont, tinha origens na França. Esses dados são importantes porque, ao que consta, certa atitude do pai foi a mola propulsora para a nova vida do filho e o nome Francisco também tem raízes na França.

A família do santo homenageado no Dia de São Francisco não era abastada. Pelo menos não de todo, mas fazia parte da burguesia italiana da época. Os negócios de venda de tecidos foram muito bem administrados.

Com isso, os di Bernardone chegaram a estado de riqueza. Os negócios se saíram muito bem na França, na cidade de Provença. Assim, hoje, parece estranho que se celebre o Dia de São Francisco como Dia da Pobreza.

No dia do nascimento do futuro São Francisco, seu pai estava a negócios na França. Então, sua mãe o batizou com o nome de João (Batista) que, em italiano, é Giovanni.

De João para Francisco

Como você viu acima, o termo “Giovanni” tem carga semântica como “João”, nome do apóstolo João Batista. O futuro santo foi, então, batizado com esse nome. O motivo para a mudança para Francisco não tem registros confiáveis. Porém, há duas versões.

Em certa ocasião, ainda menino, Giovanni acompanhou seu pai em viagem à França. Lá, o rapazinho teria se encantado, se deslumbrado com o estilo de vida local. Cultura, sociedade, costumes, hospitalidade, prosperidade foram alguns dos aspectos que imantaram o menino.

A partir de então e de volta a Assis, o garoto não parava de se referir à França. Dessa maneira, seu pai, em tom de brincadeira, passou a chamá-lo de Francesco – em italiano, significa francês.

Outra versão é demonstração de carinho do pai pela mãe. Tendo ela ascendência francesa, di Bernardone mandou batizar o menino em homenagem à esposa.

Dia de São Francisco, “O Santo Pestinha”

O dia de São Francisco de Assis é sempre simbolizando com pombas da paz.
O dia de São Francisco de Assis é sempre simbolizando com pombas da paz.

O menino, que um dia teria homenagens no Dia de São Francisco, cresceu. Por conta da vida abastada, conseguiu grande popularidade. E, com ela, a inconsequência dos adolescentes.

E, com ela, a indisciplina, a rebeldia, a recusa à escola, o descaso para com a ordem social e, especialmente, a busca por renome por meio de atos ingenuamente heroicos. Por isso, ciente de que sua cidade estava em guerra com vizinha Perugia, alistou-se por volta dos 20 anos de idade.

E, com o alistamento, em vez de heroísmo, foi capturado e mantido refém por mais de um ano. Na clausura, contraiu bactéria que o manteve febril por todo o ano seguinte ao ser finalmente libertado. Com isso, teve problemas intestinais e visuais pelo restante da vida.

Importante: muitos historiadores alegam que foi esse período de clausura que faz nascer o ímpeto religioso do jovem que viria a ser lembrado no Dia de São Francisco. É possível que tenha tido um dos sonhos que o levariam a pensar em Cristo de maneira diversa.

Após um dos sonhos, deixou-se levar pela perspectiva de ser herói de guerra. Em viagem para o conflito, teve outro que o fez voltar à terra natal, Assis. Segundo o sonho, algo seria revelado em sua cidade que, finalmente, o faria ser lembrado no Dia de São Francisco.

Coincidência ou não, foi durante festinhas com seus amigos que sentiu que tinha uma missão na vida. A partir de então, começou a abandonar a vida mundana.

“Início” do Dia de São Francisco

Assim, entrou em reclusão em uma caverna da região. Pretendia divagar sobre sua vida e adquirir sabedoria para enfrentar seu futuro. Aliás, este – o futuro – parecia ser representado em pesadelos constantes, nos quais uma velha corcunda estava sempre presente.

Quando voltou a sua cidade com intenção de dar andamento a sua nova vida, foi humilhado, xingado, chacoteado. Contudo, manteve a decisão. Assim, começou a ser compreendido como “homem mudado” a partir de um episódio perigoso para a época.

Havia uma região próxima destinada a interconvívio de leprosos. Certamente, era região marginalizada pela sociedade, proscrita pela população. Ocorre que, em cavalgada de meditação, o futuro santo do Dia de São Francisco aproximou-se do local e encontrou um andarilho leproso e maltrapilho.

O “Dia D” do Dia de São Francisco

Como era normal, o jovem Francisco tinha receio de contágios. Contudo, viu que o homem sentia frio e estava faminto. Desceu de seu cavalo e ofereceu o próprio manto ao mendigo, além de deixar em sua face um beijo de conforto.

Acima, dissemos que alguns historiadores afirmam que o período em que permaneceu refém de guerra mudou a vida do jovem. Esses mesmos estudiosos confirmam que o encontro com o leproso sedimentou suas novas convicções.

Antes disso, tinha tentando levar adiante os negócios do pai no comércio. Contudo, o dia da conversa com o leproso mudou tudo. A partir de então, passou a se dedicar mais a estudos, aos pobres e aos indefesos.

E foi na Igreja de São Damião que o futuro homenageado no Dia de São Francisco teve certeza disso. Ali, abrigado em oração, ouviu Cristo pela primeira vez. Este mencionou um crucifixo que o jovem não identificou de imediato.

Inconsequência com os negócios do pai

A mesma voz alertou aquele que viria ter seu próprio dia de homenagens, o Dia de São Francisco, sobre as condições deploráveis da Igreja de São Damião. Assim, sugeriu que Francisco a restaurasse.

Sem pensar, o jovem voltou à loja do pai, apanhou tecidos caríssimos e os vendeu a baixo custo na cidade. Todo o dinheiro arrecadado foi oferecido ao pároco para que a igreja fosse reconstruída.

Com toda certeza, o fato despertou a fúria do pai, que perseguiu o rapaz. Francisco se escondeu por alguns dias, mas resolveu se mostrar a público. Foi insultado e apedrejado pelo populacho, que o tinha por louco. Recolhido pelo pai, este o manteve preso no porão. Era visitado apenas pela mãe que, amável, optou por soltar o filho.

Santo Nu, o pedreiro das igrejas

Entretanto, o pai continuou a perseguição e acusou o filho de perdulário. Exigiu reparação com devolução de todo o dinheiro gasto pelo filho. Foi então que aconteceu a cena mais marcante, mais emblemática da vida daquele que seria o centro do Dia de São Francisco.

O jovem se desfez de toda a vestimenta e entregou ao pai. Além disso, recusou publicamente a herança, confortou-se com o bispo e sumiu nos caminhos. Foi assim que teve início sua vida de reformas.

O Dia de São Francisco é, então, lembrança da decisão do jovem Giovanni de restaurar igrejas. Dedicou-se ao ofício de pedreiro para levar adiante sua missão

E foi numa das igrejas restauradas que teve contato com um trecho bíblico que desenharia sua conduta a partir de então. Em Mateus, leu:

“Ide, ‘disse o Salvador’, e proclamai em todas as partes que o Reino do Céu está aberto. Vós recebestes gratuitamente; dai sem receber pagamento. Não leveis nem ouro nem prata nem cobre em vossos cintos nem um alforje nem uma segunda túnica nem sandálias nem o cajado de viajante, pois o trabalhador merece ser sustentado. Em qualquer vila em que entrardes, procurai alguma pessoa digna e hospedai-vos com ela até partirdes. E, quando entrardes em uma casa, saudai-a; se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz”.

Pregação e vida sóbria

Assim, a vida do celebrado no Dia de São Francisco foi levar a Bíblia aos quatro cantos do mundo. Uma série de atos são dignos de nota:

  • Converteu ricos, que venderam suas posses em prol dos necessitados
  • Teve revelação sobre a própria ordem monástica que fundaria, a Ordem dos Frades Menores
  • Reuniu grupos de seguidores
  • Criou a chamada Regra Primitiva de sua ordem: pobreza absoluta para adesão total à vida de Cristo
  • Viajou a Roma para conseguir autorização para criação de sua ordem

Interessante: ao se apresentar maltrapilho e sujo em Roma, foi humilhado e vilipendiado por todos, incluindo o Papa Inocêncio III. Este o mandou pregar aos porcos, “já que te portas como tal”. E foi o que Francisco fez: pregou diante de um chiqueiro e conseguiu retornar à presença do Papa.

Acontece que, enquanto isso, o soberbo Inocêncio III teve um sonho que julgou ser revelação de Deus: a Basílica de São João de Latrão não se sustentava se não fosse um pobre religioso. Assim Inocêncio III autorizou a Regra Primitiva, ainda que apenas verbalmente.

Desilusão com os homens

Francisco deveria, tempos depois, mostrar os resultados de sua Ordem. Entretanto, tanto ele próprio quanto outros membros de seu grupo se decepcionaram com a vida vistosa de Roma. Assim, desistiram de conseguir autorização papal e o jovem continuou sua saga.

Então, desiludido com os homens, optou por orar junto com os animais. Foi aí que, segundo alguns registros diversos, aconteceu o histórico Sermão aos Pássaros.

Nele, ainda segundo alguns registros, o jovem orador se revolta e sugere que as aves destruam os poderosos. Outros registros apontam um texto suave, tranquilo, a partir do qual o monge pede que os animais agradeçam a Deus pelos benefícios gratuitos que recebem.

Evolução da Ordem dos Franciscanos

A partir de então, a Ordem dos Franciscanos, que também é celebrada no Dia de São Francisco, cresceu a olhos vistos. Recebeu de presente uma capela, angariou simpatia de todos à volta, expandiu-se por grande raio pela região.

Foi inovadora ao incluir uma mulher, Clara d’Offreducci, que viria a ser a futura Santa Clara. Ela fundou o braço feminino da Ordem.

Passamento de Francisco

Segundo relatos e registros, o santo do Dia de São Francisco esperou a morte chegar de forma consciente. Suas dores de cabeça aumentaram e sua visão diminuiu lentamente. Durante dias, se manteve em oração e recebeu o fim de maneira natural

Nesse período, teve visões que o confortavam, ouvia mensagens que o alentavam. Faleceu em 03 de Outubro de 1226, sepultado o dia seguinte. Aliás, é a data de seu sepultamento que determinou o Dia de São Francisco.

Dois anos após seu falecimento, foi canonizado.

Oração do Dia de São Francisco

A oração de São Francisco de Assis é uma das mais lindas que existe.
A oração de São Francisco de Assis é uma das mais lindas que existe.

Em 1912, durante evento religioso em Paris, França – que algumas pesquisas indicam ter sido em Roma, Itália -, panfletos com uma oração foram distribuídos à população. No verso do folheto, havia a imagem do santo do Dia de São Francisco. Nesse contexto, a oração foi atribuída como autoria do santo.

Entretanto, estudos revelam que o texto foi criado no século XX, sete séculos depois da morte do santo. Contudo, ninguém dá ouvidos a esse “clamor científico” e todos continuam dando crédito ao celebrado do Dia de São Francisco.

O cantor Fagner gravou em canção a oração. Veja abaixo o texto completo.

“Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa Paz.
Onde houver ódio, que eu leve o Amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;

Onde houver discórdia, que eu leve a união;

Onde houver dúvida, que eu leve a Fé;
Onde houver erro, que eu leve a Verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a Luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido;
amar que ser amado.

Pois é dando que se recebe;
e perdoando que se é perdoado e
é morrendo que se vive para a vida eterna.

Essa é a vida do santo celebrado no Dia de São Francisco, 04 de outubro, o Protetor dos Humildes. Deixe registrada na área de comentários abaixo suas experiências com esse santo, caso você as tenha.