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Dia do Leitor – 7 de janeiro

dia do leitor

Você já ouviu algo como “ler é uma viagem” ou “leitura abre a mente” ou ainda “leitura é um prazer inconfundível”. Tem mais: “A leitura engrandece a alma” – aliás, essa é de Voltaire; “a leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde”. Bem, se você concorda, o dia 07 de janeiro é seu, pois é o Dia do Leitor.

Para Emily Dickinson, “nave melhor do que um livro, para viajar longe, não há!”. Para muitos outros, “ler é ato de magia”.

Então, você é um leitor já pelo fato de estar acompanhando este artigo. Afinal, um leitor é aquele que busca decifrar uma mensagem a partir de um código. E esse código não necessariamente deve ser letras. É a essa pessoa que o Dia do Leitor homenageia.

Você, no caso.

O Brasil é o país da contradição no quesito leitura. E isso é intrigante. Afinal, escreve-se muito em terras tupiniquins – haja vista a participação em redes sociais em que estamos nos primeiros lugares -, mas se lê pouco.

O cheirinho do livro

dia do leitor: cheiro do livro
Todo leitor é apaixonado pelo cheiro do livro.

Você já deve ter ouvido um “leitor” dizer que adora, que é fascinado por cheiro de livro. Bem, essa “loucura” tem agora uma explicação.

A madeira com a qual o papel é feito recebe ação de calor, umidade e frio durante anos antes de ser cortada. Esse processo gera diversas substâncias orgânicas que permanecem latentes nas moléculas do tronco mesmo depois de industrializado.

Quando o papel se destina a livros, o próprio formato deste mantém aquelas substâncias ativas. Afinal, fechado, comprimido com outros exemplares, mantido em ambiente com temperatura adequada, torna-se local adequado.

Assim, elas reagem à luz, calor, umidade etc., criando aroma (perfume, em verdade) aproximado ao de baunilha, flores, amêndoas, dentre outros.

Porém, a intensidade do aroma é bem baixa. Então, ao ser aberto, o aroma é exalado, mas o cérebro não o identificada realmente. Apenas pressente.

Daí a gostosa, bela e saudável impressão de que o cheirinho é exclusivo do livro. E isso acontece ainda que o livro seja novo ou velho.

Já sentiu esse cheirinho? Você é um bom leitor? Conseguiria imaginar a força social que um leitor detém? Já pensou no poder que um povo teria se a esmagadora maioria dos indivíduos lesse e discutisse o que lê?

Obtenha essas respostas neste artigo.

Para que serve um Dia do Leitor, afinal?

O dia do leitor é celebrado para incentivar a leitura de livros.
O dia do leitor é celebrado para incentivar a leitura de livros.

De início, claro, é para incentivar a leitura no país. Isso significa que o brasileiro, infelizmente, lê pouco. Segundo levantamento feito em 2018, quase 45% dos brasileiros não têm hábito da leitura; ainda, 30% jamais adquiriu um livro.

Dentre as ações associadas a entretenimento, como ir ao cinema, viagem, ver TV etc., a leitura oscila entre o 10º e 11º lugar. Ainda, do percentual restante que diz ser leitor, o índice de livros lidos é de menos de cinco títulos por ano.

Para que se lamente ainda mais, desses cinco livros lidos por ano, a metade é de livros não lidos totalmente. Então, esse “mapa da leitura no Brasil” se mostra realmente preocupante.

Na França, a média anual de livros lidos por ano é de mais de 21 títulos com mais de 75% da população se dizendo leitora. É invejável e, ao mesmo tempo, estimulante.

Mas há algumas “desculpas”

Por outro lado, há alguns atenuantes para essa situação. O fato de se ler pouco pode ser reflexo de diversos fatores independentes da vontade do brasileiro. Assim, situação econômica é certamente um deles.

Afinal, a média de preço de um livro no país é alta: por volta de R$35 por unidade. Na Argentina, onde se lê bastante, o valor unitário era quase a metade disso há poucos anos; na França, é proporcionalmente ainda menor que na Argentina.

Além das dificuldades econômicas, há ainda o problema cultural. Há décadas, a didática dos primeiros anos escolares obrigava os alunos a lerem obras clássicas. Aquela obrigatoriedade aliada à complexidade da linguagem clássica desestimulava hábito de leitura.

Com toda certeza, aqueles alunos constituíram famílias. E, com mais certeza ainda, livros e leitura não faziam parte do dia a dia de tais famílias. Ou seja: a “coisa” acabou virando uma espécie de bola de neve.

A paralelo com a “desculpa” acima, a financeira, o sistema econômico do país obriga os pais a se ausentarem dos lares. Assim, o costume de se abrir um livro para os filhos ficou perdido com o passar dos anos. Muito raramente, estes leem histórias para seus filhos antes de dormir.

Mas já não há desculpas: e-books

Uma das desculpas para se ler pouco é o preço do livro impresso. Por outro lado, a população detém poder para adquirir uma unidade de telefone celular. E, com o avanço da tecnologia, já é possível baixar “belos exemplares” de grande quantidade de livros.

Assim, não raramente, “leitores” são vistos com seus smartphones. E, claramente, ou estão lendo ou estão vendo vídeos. O problema é que estão lendo textos fúteis na maioria. Assim, se o avanço da tecnologia for bem usado, já não haverá mais desculpas para não se ler.

Questões culturais no Dia do Leitor

Luta-se muito por Cultura no Brasil. Contudo, o conceito de Cultura no inconsciente popular se mostra meio limitado. Luta-se por atividades culturais mais associadas a sentido de liberdade social. Assim, as temáticas referenciam universos à parte do mundo da leitura.

Nesse cenário, “Cultura” parece se restringir ao Carnaval, festas juninas, manifestações regionais e até mesmo a country life e halloween.

O que é, afinal, um leitor?

Em termos técnicos, “leitor” é o indivíduo que busca assimilar uma mensagem enviada por um emissor por algum meio, constituída por signos ou símbolos. Nesse contexto, os símbolos e signos podem ser letras, desenhos (emojis, para usar um termo mais atual), artes plásticas em geral (esculturas, pintura, artesanato etc).

Assim, no âmbito técnico, pode-se analisar o ato de ler a partir da Neurologia, da Psicologia, da Filosofia e até mesmo Oftalmologia. Afinal, há uma série de fatores orgânicos que influenciam no ato da leitura.

Porém, o sentido mais restrito do termo e para focar no tema deste artigo, um leitor é um indivíduo que gosta de ler livros em geral, é amante e admirador da arte da escrita.

A magia representada pelo Dia do Leitor

A litrua é capaz de trasnportar o leitor para outros lugares e o dia do leitor celebra isso.
A litrua é capaz de trasnportar o leitor para outros lugares e o dia do leitor celebra isso.

Você viu no início deste texto que “ler é um ato de magia”. Essa ideia parece meio piega, meio popularesca, dessas postadas em redes sociais sem o menor sentido. Contudo, há muita verdade contida nessas palavras.

Você entra em um universo desconhecido ou leva um universo desconhecido para dentro do seu. É o que acontece quando você lê, ainda que conheça profundamente o que estiver lendo.

– Hum… – você diria -, mas, se eu conhecer o que estiver lendo, como pode ser mágico?

Exatamente porque o tema lido está sendo observado por outro ângulo, o ângulo do autor. Eis aí o fluxo mágico da coisa toda. A maneira como você descreve um copo jamais vai ser idêntica à maneira como seu vizinho descreve o mesmo copo.

Já assistiu a um filme baseado em um livro?

Se você já passou por essa experiência, vai compreender bem a magia da leitura sobre a qual falamos acima. Se jamais passou, certamente por assimilar a tal magia a partir da ideia abaixo.

Imagine que você tenha lido a seguinte cena em um livro qualquer:

“A bela jovem desceu a escadaria em seu deslumbrante vestido”.

Agora, imagine-se assistindo a essa cena em um filme baseado no mesmo livro que você leu. Imaginou? Pois então. A cena jamais vai ser mesma que você criou quando a leu no livro.

O conceito de “bela jovem”, de “escadaria” e de “vestido deslumbrante” está contido na cabeça do diretor do filme. Com toda certeza, não é o mesmo que o seu. Então:

  • “Bela jovem” do filme pode ser loira, alta, magra, mas você a imaginou morena, estatura média, mais ou menos fofinha
  • “Escadaria”, no filme, pode ser um conjunto de degraus de mármore em caracol, mas você a desenhou reta, larga e com ladrilhos
  • “Vestido deslumbrante”, no filme, é branco com pedras cintilantes e longo, mas você, em sua mente, vestiu a bela jovem num vestido curto que delineia bem suas curvas

É mais ou menos isso que acontece quando você lê. Ou seja, sua mente cria livremente segundo seus próprios pareceres e opiniões.

A saga de um analfabeto

Quem lê este artigo provavelmente não faz ideia de como é a vida de um analfabeto. A menos, claro, que tenha se alfabetizado já na idade adulta. Não é possível nem mesmo comparar com um turista em país de idioma desconhecido.

Afinal, o turista pode dispor de um aplicativo tradutor e, consequentemente, vai “ler tranquilamente” as mensagens. Assim, a vida de um analfabeto é insustentável.

Começa-se pela humilhação social. Lembre-se de que há ignorantes de toda espécie no mundo. Inclusive aqueles que consideram um analfabeto um ser menor. Desprezível, em muitos casos.

Um analfabeto conhece o mundo somente pela opinião de terceiros mais próximos. Se tiver a sorte de conviver com pessoas inteligentes, poderá desenvolver visão social mais ampla. Caso contrário, vai permanecer restrito ao que apenas ouve.

Imagine-se:

  • Não saber para onde vai um ônibus
  • Não conhecer a função de um remédio
  • Não poder se comunicar à distância em silêncio
  • Não receber um cartão de felicitação
  • Não descobrir a saída de emergência de um recinto
  • Ser obrigado a pedir explicações sobre um problema qualquer

A vida de um analfabeto é insustentável.

Origem do Dia do Leitor

O Dia do leitor é dedicado às pessoas que cultivam o hábito da leitura e o amor aos livros
O Dia do leitor é dedicado às pessoas que cultivam o hábito da leitura e o amor aos livros

Demócrito Rocha foi um odontólogo, político e poeta cearense apaixonado por leitura, por jornalismo e por poesia. Havia muito tempo, acalentava a ideia de criar um jornal voltado à arte de escrever para o povo de seu estado. E criou.

Em 07 de janeiro de 1928, Rocha fez circular a primeira edição do jornal “O Povo”. Nela e nas muitas seguintes, publicou trabalhos de vários escritores cearenses. Estes eram considerados a nata da intelectualidade do estado.

Assim, o jornal viu em suas páginas textos de Antônio Drumond, Suzana de Alencar Guimarães, Rachel de Queiroz (na época, usava o codinome “Rita de Queluz”), Filgueiras Lima, Jáder Moreira de Carvalho, Beni Carvalho e outros.

Entretanto, o Dia do Leitor foi criado 56 anos depois. A manchete de 07 de janeiro de 1984 falava do início da data. O Dia do leitor é dedicado às pessoas que cultivam o hábito da leitura e o amor aos livros.

Veja que interessante

A filosofia popular diz que um livro tem força. E realmente tem (apesar de que, infelizmente, a própria população em si não tenha oportunidade de ler muito). Dessa maneira e por consequência, o leitor também tem força.

Não à toa, diz-se que uma sociedade evoluída é uma sociedade de leitores. É claro que uma sociedade de leitores não resolve todos os seus problemas. Contudo, sendo leitora, certamente vai assimilar uma série de informações consistentes sobre como resolvê-los.

E, não à toa também, o livro foi perseguido durante séculos por governos ditadores, corruptos e ensandecidos. Além disso, o livro foi mantido distante da população por muito tempo a partir de estratégias terríveis daqueles mesmos governos.

Governos contra leitores

Isso dá ideia de como os governos têm medo de leitores. Por exemplo:

  • Na Idade Média, os homens – diga-se aí “os governos” – considerados moralistas faziam de tudo para que mulheres não se tornassem leitoras. Receavam que elas pudessem adquirir conhecimento e brigar por melhores condições de vida social. Ou seja, descobririam a força que já tinham na época
  • Lygia Fagundes Telles, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado e Otto Maria Carpeaux precisaram ter coragem em janeiro de 1977. Na ocasião, levaram um abaixo-assinado com mais de mil assinaturas contra a censura de livros e outras formas de artes
  • Em junho de 1933, nazistas queimaram livros em diversas praças públicas durante vários dias
  • A Casa da Sabedoria ou Casa do saber foi uma biblioteca estabelecida à época do Califado Abássida, em Bagdá, no Iraque da Idade Média. Foi considerada o maior centro intelectual durante a Idade de Ouro do Islã. Em 1258, o prédio foi destruído pelos mongóis juntamente com as restantes bibliotecas da cidade

Leitores e a saúde

  • Muitos estudos e experiências relacionam a saúde física e mental ao ato de ler. Crianças e adolescente entre 10 e 16 anos que leem são menos propícias a estresse futuro e seus efeitos físicos
  • Esses e outros estudos também associam prevenção de Alzheimer ao ato de ler. Quando se lê bastante, diversas áreas cerebrais são estimuladas. Isso se mostra como exercício cerebral
  • Biblioterapia foi criada pelo psiquiatra Neil Frude em 2003 baseada em pesquisas específicas sobre os benefícios da leitura. Livros são excelentes substitutos de antidepressivos, conforme os estudos do criador da terapia

Curiosidades

  • A leitura silenciosa era praticamente proibida até o século V. Não havia lei contra ela, mas significava falta de educação e de relação social. As autoridades religiosas alegavam que ler em silêncio promovia a preguiça. Além disso, poderia dar oportunidade para se sonhar acordado e, consequentemente, ter problemas mentais futuros
  • Santo Agostinho foi um dos mais eruditos santos da filosofia católica. Para ele, a leitura silenciosa era falta de humanidade para com os semelhantes. Afinal, “o texto escrito era uma conversação posta no papel para que o parceiro ausente pudesse pronunciar as palavras destinadas a ele”
  • O verbos “ler” e “falar” são representados pela mesma palavra nos idiomas aramaico e hebreu
  • Os livros da Idade Média eram copiados à mão por falta, claro, de instrumentos adequados. Contudo, os copistas eram, via de regra, analfabetos, mas eram excelentes “desenhistas”

Então, é isso. Você certamente é leitor (ou não estaria neste site). Assim, já teve alguma experiência – agradável ou não – com textos lidos. Manifeste-se na área de comentários abaixo. Aproveite e manifeste também sua opinião justamente sobre este artigo.