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Dia do Tango

dia do tango 11 de dezembro

Ah! Vá! Vai dizer que você não sabia que existe o Dia do Tango? Claro que sabia. Em verdade, o nome real é Dia Internacional do Tango. A data, em si, é 11 dezembro e ela homenageia a personalidade mais expressiva do ritmo.

O ritmo é conhecido no mundo inteiro e é também motivo de “briga” entre dois países da América do Sul. E isso nada tem a ver com soberania nacional, mas com orgulho de pertencer a um povo que tenha criado algo de alcance mundial.

Afinal, isso acontece, por exemplo, com as aeronaves, cujos registros apontam como invenção brasileira, mas que americanos pleiteiam para si. Ou, ainda, em relação ao rádio, que também é invenção brasileira (não se espante) criada pelo padre Roberto Landell de Moura, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, mas que italianos querem que seja deles.

Sim, pois o tango é tem mesmo alcance mundial. Há concursos, gincanas e quizzes sobre ele em muitas regiões. É por isso que existe um Dia do Tango.

Assim, é possível (e necessário) compreender a importância do Tango, especialmente para os uruguaios e argentinos, que são aqueles dois países mencionados acima.

Nesse cenário todo, que tal avaliar a importância da dança para o ser humano?! E, depois, saber o que o tango faz na cabeça de quem dança?! Assim, você vai descobrir os reais motivos que fazem argentinos e uruguaios brigarem pelo tango.

Dia do Tango: o que você precisa saber agora

O tango é um ritmo músical e de dança comemorado internacionalmente no dia do tango.
O tango é um ritmo músical e de dança comemorado internacionalmente no dia do tango.

O tango é um ritmo músical e de dança. Ambas são altamente sensuais. O Dia do Tango é homenagem ao dia do nascimento do mais expressivo cantor expoente argentino do tango. Trata-se de Carlos Gardel.

Aliás, na Argentina, “Gardel” é o outro nome do tango. Se usar um ou outro termo em qualquer frase, o sentido é o mesmo. Seu nome real era Charles Romuald Gardés e nasceu em 11 de dezembro de 1890. E aqui há um entrave.

Registros diversos dizem que Gardel era francês nascido em Toulouse. Outros, garantem que ele era realmente uruguaio do distrito de interiorano Tacuarembó. Contudo, não há qualquer argentino que abra mão da honraria de ter o maior cantor de tango como conterrâneo.

É por isso que uruguaios e argentinos continuam a brigar pelo tango e por Gardel. Ambos os países pleiteiam a criação do Dia do Tango.

De qualquer maneira, em 1977, o prefeito de Buenos Aires instituiu o Dia do Tango em 11 de dezembro. Vinculou definitivamente, assim, o tango à imagem de Gardel.

A dança e a construção psicológica humana

Nosso grande compositor Oswaldo Montenegro diz em uma de suas canções que “quem não ouve a melodia acha maluco quem dança…”. Em verdade, ele fez referência a grande e conhecido pensador, que disse: “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música”.

Com essa ideia, Friedrich Nietzsche usou o ato de dançar para definir pessoas que vivem seguras de si. Ou seja, pessoas certas de que seus pensamentos e conceitos são convenientes a si mesmas e, portanto, à sociedade em que vivem.

A gente não vai querer fazer análise filosófica aqui; a gente apenas quis demonstrar a profundidade do ato de dançar e o que ele realmente representa. Afinal, não sendo importante, não seria lembrado pelo grande poeta brasileiro e pelo renomadíssimo pensador alemão (em realidade, prussiano).

O que a dança faz no cérebro

Quando você está em êxtase por qualquer motivo, você dança. Ou, pelo menos, você altera o ritmo de movimentos corporais. Você faz isso quando seu time faz um gol ou uma cesta ou um ponto (quando perde também).

Isso é dança. De alguma maneira, os estados emocionais acabam se refletindo corporalmente. É o que os psicoterapeutas chamam de Linguagem Corporal. Você mostra inconscientemente o que vai em sua cabeça.

Bem, se a dança é capaz de fazer isso com seu corpo, imagine o que ela não pode fazer com seu cérebro?

Mais antiga forma de comunicação

O mundo acadêmico e o científico estão cheios de estudos, pesquisas e conclusões sobre meios de comunicação. Diz, assim, que a dança foi a primeira forma de comunicação, antes mesmo dos sons em palavras. Foi com a dança que os primeiros hominídeos reconheceram desejos e desconfortos de terceiros.

Claro e certamente, não foi nenhum movimento ritmado; nem mesmo houve intenção de enviar alguma mensagem. Contudo, os movimentos serviram para demonstrar e aclarar alguma situação.

Aliás, estudos genéticos afirmam que aquela dancinha descrita acima foi produto das danças de acasalamento de outras espécies de animais. Com o tempo (veja bem: muito, mas muito tempo mesmo), ela foi sendo aprimorada.

Lado a lado com a humanidade

Durante esses milhares de anos de desenvolvimento humano, a dança marcou presença constante. E útil. E efetiva. Ela serviu para:

  • intensificar rituais religiosos
  • unir povos indígenas em torno de situação de conflitos
  • preparar o físico antes das guerras na Roma, Grécia e impérios antigos
  • aproximar níveis da sociedade no Iluminismo
  • contar histórias em teatros a partir do Renascentismo
  • promover romances e uniões

João Batista, o São João, foi decapitado depois de Herodes se encantar com a dança de Salomé.

A dança como terapia

Bem, como você viu acima, a dança provoca o cérebro das mais diversas maneiras. Essa provocação, por sua vez, induz o corpo a uma série de melhorias. Assim, a dança é capaz de:

  • corrigir postura da coluna
  • normalizar a pressão arterial
  • desenvolver capacidade dos pulmões
  • melhorar o processo respiratório
  • adequar desvios nos joelhos e pés chatos
  • produzir independência funcional, pois intensifica a força muscular

Dentre outros benefícios. Nesse cenário todo, é possível agora perceber e compreender os motivos pelos quais os dois países, Uruguai e Argentina, brigam pela posse do título de Berço do Tango e pelo Dia do Tango.

E o Dia do Tango com isso?!

Certo. Então, alguns podem questionar: “tudo bem… a dança é tudo isso. Mas por que há um Dia do Tango?”.

Acontece que o tango é o tipo de dança que parece reverter a esmagadora maioria dos conceitos acima. E isso, segundo analistas especialistas em dança. Afinal, dizem que o tango nasceu triste, melancólico. É assim, aliás, que muitas províncias da Argentina encaram o Dia do Tango.

O visual de tangueiros durante apresentações vai na contramão de outras danças. Por isso, na Argentina, o tango é a mais forte bandeira da melancolia, da tristeza, da comiseração e, essencialmente, da paixão. Lá, diz-se que “o tango é um pensamento triste que se pode dançar”.

Entretanto, estudos e pesquisas mais recentes garantem que essa imagem do tango não é real. É pura lenda, puro engano.

A controversa origem do Dia do Tango

Não há certezas sobre a origem do Dia do Tanto
Não há certezas sobre a origem do Dia do Tanto

Assim como muitas datas comemorativas, não há certezas sobre a origem do Dia do Tanto. Aliás, você vai ver neste artigo que não há certezas nem mesmo sobre a origem do tango em si, a dança em si.

E, para complicar um pouco mais, não há certezas nem mesmo sobre a formação da palavra “tango”.

Bem, parece haver consenso pelo menos para a instituição da data, conforme você vai ver abaixo. Porém, esse tipo de controvérsia é plenamente normal na determinação de origem de muitos eventos pelo mundo afora.

Provável origem da palavra tango

Há pesquisas que garantem que a palavra “tango” nasceu da expressão nigeriana tamgu. Por sua vez, esta palavra significaria “dança do tambor” ou “bailar ao som do tambor”.

Como você vai ver abaixo, há uma versão sobre a origem do tango que o vincula aos africanos. Diz-se, então, que aqueles nativos tinham problemas em pronunciar “tambor”. Nesse caso, falavam “tangor”, que seria a nascente da palavra “tango”.

Provável origem da palavra tango

Outra vertente de estudos afirma que a palavra tem origem portuguesa; portanto, latina. Viria de “tangere”, o que quer dizer “palpável, tangível”. Muitos vinculam o sentido dessa versão ao fato de os corpos do casal “se tocarem, se tangerem”.

Provável origem do tango

O século XIX foi um marco na composição social da Argentina. O país lançou mão de estratégia especial para alimentar sua necessidade de mão de obra física. Entretanto, a “imprensa” da época desconfiou que a intenção era também dar uma guinada na construção cultural.

A estratégia foi abrir as fronteiras para imigrantes, especialmente europeus. De certa forma, a ideia deu certo, pois atraiu milhares de famílias. E também homens solteiros e casados solitários que deixaram suas famílias nos países de origem.

Aliás, a ideia atraiu muito mais homens sós que famílias.

Importante: memorize esse dado (chegada de homens imigrantes), pois tem muito a ver com o nascimento do tango. Bem, pelo menos nessa versão da história. E com o Dia do Tango.

Dessa maneira, a procura por divertimento e lazer foi intensa. Bem intensa. Tanto que propiciou criação de diversos prostíbulos em muitas regiões. Segundo registros confiáveis, houve momento em que havia centenas e centenas de “casas de tolerância”.

Calma… a gente chega lá

O título acima é uma das frases ditas pelas prostitutas a seus clientes. Afinal, a procura descomunal por serviços sexuais originava filas enormes. Assim, as profissionais precisavam também acalmar a clientela.

Uma das maneiras de acalmar a “turba desesperada” foi produzir eventos para distração. Assim, apresentavam-se números musicais aos que aguardavam sua vez.

Ocorre que o contingente de imigrantes levou para o país homens com suas próprias culturas. Assim, aquelas apresentações musicais foram absorvendo sinais e traços de diversas culturas e se misturando entre si. Isso gerou alguns ritmos com traços de candombe do Uruguai, da polca da Europa, da havaneira de Cuba, da milonga da Espanha.

Aos poucos, lentamente, o tango foi se construindo com características desses ritmos. Depois décadas, passou a ter seu próprio estilo. Entretanto, mesmo seu estilo detinha alguns elementos de outros ritmos.

Dos ambientes, a paixão

É fácil, agora, identificar os vínculos entre tango e paixão. Os ambientes de que se originou eram plenos de situações apaixonadas, de traições, de dor de cotovelo, de sensualidade.

Assim, ele nasceu do sentido de tragédias, de desejos, de amores, de ternura, de solidão, ou seja, do sentimentalismo e do romantismo propriamente ditos. Não à toa, os próprios títulos dos tangos mais conhecidos carregavam essas características.

Então, os enredos normalmente contam estórias sensuais, libidinosas, cheias de intenções das mais “pecaminosas”. E, também não à toa, as chamadas “pessoas de bem” rejeitavam o estilo musical. Bem, pelo menos publicamente.

Entretanto, os imigrantes chegados da Europa ou seus descendentes começaram a retornar para seus países. Com isso, levaram consigo a “dança do pecado”, como chegou a ser intitulado o tango.

Ainda mais provável origem do tango

Dizem outros pesquisadores que o tango tem origem mais antiga, lá pelas terras africanas. Alegam que, com a vinda dos escravos, estes obviamente tinham momentos em que manifestavam suas próprias culturas.

Com elas, levaram um ritmo que, ao que tudo indica, chamavam de “tangano” ou “tangor”. O som da palavra, para eles, parecia reproduzir o som de batida de tambores. Ainda segundo aqueles estudiosos, o ritmo e os movimentos dos africanos eram muito parecidos com descrições do tango primário argentino.

Dia do Tango no mundo

Décadas depois de se popularizar no sul da América do Sul, o tango ganhou espaço no mundo por meio da Europa. Foi para lá juntamente com os imigrantes e seus descendentes que foram trabalhar na Argentina e no Uruguai. Isso a gente já viu acima.

Contudo, a introdução do ritmo no Velho Mundo não foi fácil. Justamente por conta dos movimentos sensuais, dos enredos das letras e das histórias de suas origens, a religiosidade se incumbiu de marginalizar a dança. (Mais ou menos como aconteceu por aqui com o samba.)

Assim, o próprio Papa Pio X maldisse o ritmo. Acompanhou sugestões da maioria dos padres regionais que consideravam o ritmo “a dança do pecado”. Entretanto, a beleza da dança acabou fazendo que se alastrasse por várias regiões. Nesse cenário, anos depois, o mesmo Papa acabou aceitando a força do ritmo popular.

O Dia do Tango tornou-se data comemorativa especialíssima para argentinos e uruguaios. Entretanto, o mundo conhece, enaltece e admira esse ritmo fantástico. No Brasil, o Dia do Tango é comemorado com gincanas e concursos em centenas de clubes espalhados por aí.

E você? Gosta de tango? Já participou e concursos? Gostaria de comentar suas experiências ou falta de experiência com o tango? Use a área de comentários logo abaixo.