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Feriados em Sergipe

Talvez você até fique surpreso com a composição do nome desse pequeno estado brasileiro. E talvez também fique com sua longa e bela história. De qualquer maneira, vai ficar surpreso com o fato de haver tão poucos feriados em Sergipe diante de tantos motivos se comemorar. Essa controversa parece estranha.

O pequeno Sergipe era território da Bahia ainda no período colonial. A origem de seu nome é dada como sendo de língua tupi muito antiga e significa “no rio dos siris”. É homenagem e referência ao Rio Sergipe.

Etimologia:“Siri” se refere exatamente ao crustáceo; “y” traduz a ideia de “rio”; “pe” pode ser uma espécie de preposição que se associa a “em lugar”. Então, juntando tudo, chega-se a algo como “em rio de siri” – ou “siri y pe”. Contudo, a fonética dos colonizadores tinha muita dificuldade para pronunciar o termo original. Assim, “siri y pe” se transformou em “sergipe”.

Veja alguns fatos que poderiam ser feriados em Sergipe.

Feriados em Sergipe: o estado

Esse “pequeno grande” está situado quase no extremo leste do mapa do Brasil, bem escondidinho entre Bahia e Alagoas. Aliás, perto desses dois, Sergipe quase não pode ser visto. A sua direita, somente o grandioso Oceano Atlântico. Mais a oeste e sul, está a grande Bahia; ao norte, o Rio São Francisco o separa de Alagoas.

Falando assim, parece normal. Contudo, a gente tem falado sobre os diversos estados brasileiros em artigos. Quando se descreve seus limites, mencionam-se diversos nomes de estados vizinhos. Mas, no caso de Sergipe, perceba que a coisa é simples: Bahia, Alagoas e Oceano Atlântico.

Isso mostra o pequeno tamanho físico desse estado, mas não diz nada sobre o tamanho da importância dele para a região e para o país como um todo. É mesmo o menor estado brasileiro, já que tem pouco menos de 22 mil quilômetros quadrados. Neles, vivem pouco mais de 2,2 milhões de brasileiros sergipanos.

A administração de Sergipe fica em Aracaju, que também é a maior cidade do estado. Ali, também fica a Região Metropolitana de Aracaju, que é composta ainda pelos municípios de Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão – que, aliás, foi a primeira capital de Sergipe.

Sergipe tem 75 municípios ao todo, dentre os quais Itabaiana, Lagarto, Estância e Tobias Barreto, que são extremamente importantes para o estado. Todos esses municípios possuem mais de 50 mil habitantes.

De província para estado

O estado de Sergipe se separou da “Grande Irmã”, Bahia, em julho de 1820, mais precisamente no dia 08. Dentre os feriados em Sergipe, esse é o único de caráter estadual, ou seja, o Dia da Emancipação. Foi nesse período que deixou a categoria de capitania e chegou à de província, quatro anos depois.

Com a república definitivamente instalada, tornou-se, então, estado.

O grande Sergipe vive de agricultura de maneira geral. Isto é, essa é a atividade econômica mais importante do estado. A cana-de-açúcar, aliás, merece destaque nesse universo, pois passou longos séculos servindo de base para o estado. E é ainda hoje.

Mas não se pode esquecer o coco sergipano. Juntamente com a laranja, formam bom alicerce econômico estadual. Quanto às atividades extrativistas, o importante “ouro negro”, o petróleo, é um dos elementos sustentadores desse ramo ao lado de calcário e potássio.

Feriados em Sergipe: 08 de julho

A chamada Revolução dos Padres ou Revolução Pernambucana, eclodida em março 1817, foi uma das molas que ajudaram Sergipe a se emancipar da Bahia. Esse evento histórico foi ato de desacordo dos estados nordestinos com a postura da Coroa Portuguesa na cobrança de impostos cada vez mais escorchantes.

A capitania de Pernambuco era obrigada por decreto a enviar somas altíssimas à capital, Rio de Janeiro. No frigir dos ovos, tais somas alimentavam apenas a condição monárquica da Família Real e seu enorme staff improdutivo.

Todo o valor arrecadado servia para pagar salários exorbitantes, festas nababescas, gastos muito além da conta em bem-estar da Família Real na Capital. Com isso, as necessidades do povo pernambucano, e consequentemente da região como um todo, permaneciam esquecidas no contexto.

Por outro lado, as ideias iluministas divulgadas por sociedades maçônicas europeias já estavam ganhando espaço no raciocínio das elites pernambucanas e também de outros estados do atual Nordeste, exceto na de Sergipe. Portanto, o absolutismo monárquico português começou a ser combatido já nessa época.

Início da separação

No ano anterior, 1816, o atual Nordeste foi praticamente destruído por período de seca sem igual. Com produção econômica menor, o estado de miséria do povo se acentuou. Ou seja, o descontentamento foi geral e uma revolução foi a única saída.

E o povo de Sergipe, ao lado do de outras províncias, se juntou a Pernambuco para combater os desplantes reais. Contudo, a elite do estado, claro, se apôs e se manteve ao lado da Coroa.

A ajuda do povo sergipano nas diversas contendas foi crucial. Mesmo assim, a Coroa Portuguesa, instalada na Capital, Rio de Janeiro, viu-se agradecida pelo apoio da elite sergipana e resolveu emancipar o estado. Então, em 08 de Julho de 1820, o imperador D. João VI formalizou a independência de Sergipe, separando-o da Bahia.

Como era de se esperar, o governo baiano não aceitou passivamente a decisão da Coroa. Assim, depois de diversas retaliações criadas pela Bahia e de diversas questões políticas, D. Pedro I confirmou a emancipação sergipana por meio de decreto meses depois de ter determinado a independência do Brasil, em 1822.

Feriados em Sergipe

O governo do estado de Sergipe publica o calendário oficial em todo início de ano. É hábito entre governos estaduais e municipais. Veja abaixo como está planejada a tabela de feriados em Sergipe.

  • 1º de janeiro – Ano Novo (Feriado)
  • 04 de março – Pré-Carnaval (Ponto Facultativo)
  • 05 de março – Carnaval (Ponto Facultativo)
  • 06 de março – Quarta-feira de Cinzas (Ponto Facultativo)
  • 08 de março – Dia Internacional da Mulher (Data Comemorativa)
  • 01 de abril – Dia da Mentira (Data Comemorativa)
  • 19 de abril – Sexta-Feira Santa (Feriado)
  • 21 de abril – Dia de Tiradentes e Páscoa (Feriado)
  • 1º de maio – Dia Internacional do Trabalho (Feriado)
  • 12 de maio – Dia das Mães (Data Comemorativa)
  • 12 de junho – Dia dos Namorados (Data Comemorativa)
  • 20 de junho – Corpus Christi (Ponto Facultativo)
  • 08 de julho – Aniversário de Sergipe (Feriado Estadual)
  • 11 de agosto – Dia dos Pais (Data Comemorativa)
  • 07 de setembro – Independência do Brasil (Feriado)
  • 12 de outubro – Nossa Senhora Aparecida (Feriado)
  • 15 de outubro – Dia do Professor (Ponto Facultativo)
  • 17 de outubro – Dia do Comércio (Feriado para os comerciantes)
  • 28 de outubro – Dia do Servidor Público (Ponto Facultativo)
  • 02 de novembro – Dia de Finados (Feriado)
  • 15 de novembro – Proclamação da República (Feriado)
  • 17 de novembro – Tratado de Petrópolis (Ponto Facultativo)
  • 20 de novembro – Dia da Consciência Negra (Data Comemorativa)
  • 25 de dezembro – Natal (Feriado)

Feriados em Sergipe: Aniversário do estado

O dia 08 de julho é aniversário do estado. O governo estadual costuma promover algumas ações comemorativas a fim de lembrar a força do povo sergipano.

Interessante: o povo sergipano criou um termo mais que adequado para “desenhar seu jeitão”. Trata-se de expressão que identifica as particularidades do povo como um todo. Esse “jeitão” é a maneira como o sergipano protege seu patrimônio material e imaterial (a língua, a arte, a fé, o trabalho, as festas etc.).

Nesse contexto, as características mais tradicionais se veem protegidas das investidas da tecnologia e da invasão de hábitos externos. Assim, “sergipanidade” foi idealizado para representar tudo isso.

Feriados em Sergipe – Festividades

Chegança

A Chegança é festa popular que faz parte dos festejos natalinos em Sergipe. Ela retrata bem o sentido cultural do povo sergipano. É mistura de coreografia e teatro popular. Nasceu na cultura portuguesa e, certamente, chegou ao Brasil no período colonial. Contudo, teve maior amplidão na personalidade do sergipano.

Os eventos das festividades relatam as grandes batalhas entre mouros e cristãos. Nesse contexto, os mouros precisam ser expulsos para que a história ganhe emotividade e dramaticidade. Os participantes usam elementos marítimos para desenvolver os enredos.

Originalmente, a festa segue algo como espécie de protocolo. Um representante de algum rei cristão oferece trégua aos mouros, sugerindo que estes aceitem o cristianismo como única religião. De acordo com a historicidade, os mouros recusam a oferta e, então, têm início das batalhas.

Simulação e fé

Via de regra e ainda originalmente, há dezenas de tipos de batalhas que constituem os festejos em geral: simulação de batalha a cavalo, disputa por espada, demonstração de arremesso de lança etc.

Entretanto, em Sergipe, as características originais foram se transformando com o tempo. Então, as brincadeiras e apresentações se tornaram menos conflitantes a fim de retratar o espírito de fraternidade da época natalina.

Então, os enredos se encerram sempre com a vitória dos cristãos sobre os mouros e estes sendo batizados. Normalmente, a finalização se dá em frente a alguma igreja dos municípios que promovem os festejos, em praças nas quais há estruturas que representam as embarcações da época das batalhas.

O desenvolvimento dos enredos é acompanhado por cantorias diversas. Estas demonstram o caráter religioso do evento.

Interessante: o termo “chegança” parece ter origem, segundo estudiosos pesquisadores, na terminologia marítima. “Chegar”, no universo náutico, significa “baixar as velas” à chegada no porto. Como os grandes conflitos cristãos-mouros se deram no mar, o nome dos festejos seguiu a tendência.

Festejos do Bom Jesus dos Navegantes

Os comemorações ao Bom Jesus dos Navegantes ocorrem sempre nos inícios dos anos em Sergipe. O fator de destaque é justamente a procissão pelos rios do estado. Na Capital, as festividades começam no primeiro dia dos anos.

Segundo historiadores, os eventos tiveram início por iniciativa dos pescadores da localidade de Santo Antônio ainda antes da formação de Aracaju como capital do estado.

A tradição já dura mais de 160 anos, mas o tempo de existência não diminui o ímpeto dos participantes fiéis. Assim, a festa permanece vibrante, encantadora e altamente comovente.

As imagens de Bom Jesus dos Navegantes partem das igrejas principais dos municípios. Via de regra, o pároco pronuncia algumas palavras de incentivo e celebração. Assim, pretende-se firmar cada vez mais a importância dos festejos para o povo sergipano.

Dezenas e barcos seguem aquele (devidamente vistoriado por autoridades de segurança) que leva a imagem em belo cortejo fluvial. A Guarda Marinha e oficiais do Corpo de Bombeiros permanecem a postos como elemento protetor.

Após a parte fluvial, a imagem, seus carregadores e todos os fiéis seguem para a igreja local. Lá, são celebradas missas de encerramento em louvor ao Bom Jesus dos Navegantes.

Os eventos são tão expressivos que atraem turistas, visitantes e fiéis de todo o Nordeste. Os participantes confirmam que o momento é especial para manifestação de fé e também para pedidos de proteção para todo o ano que se segue aos festejos.

Reisado

Esses festejos de Reisado se instalaram muito adequadamente na cultura sergipana. Eles têm origem na região ibérica como um todo, tendo mais força em Portugal. A exemplo da Chegança, foram parar no território sergipano ainda no período colonial.

Trata-se de comemoração por meio de dança folclórica específica. Desenvolve-se no período de Natal, que é também para estender as homenagens aos Três Reis Magos. Além, claro, de elevar hosanas ao nascimento de Jesus.

Os enredos do Reisado sofreram algumas alterações ao longo do tempo, também a exemplo da Chegança. Em sua origem, a dança era apresentada na véspera do Dia de Reis – daí seu nome.

Então, os festejos se estendiam até inícios de fevereiro, quando se praticava o ritual do “Enterro do Boi”. Atualmente, a estrutura cultural manteve a dança como elemento principal das manifestações. Porém, estas se tornaram mais livres, menos sujeitas a protocolos.

Por outro lado, os trajes continuam com suas cores fortes e com partes do tecidos em penduricalhos bem destacáveis. Além disso, as fitas componentes da indumentária mantêm presença forte e simbólica no visual.

Assim, as festividades acabaram sendo antecipadas para a partir de meados de dezembro e vão até início de janeiro. Contudo, é também apresentada em diversos outros eventos cultural-religiosos ao longo de todo o ano sergipano.

Então, é isso. A cultura sergipana está toda contida no termo “sergipanidade”, que traduz o que há de mais evidente nos hábitos e tradições do povo. Assim, os feriados em Sergipe podem não contemplar tais características, mas nem por isso o povo deixa de expressar seus trejeitos.

E em sua cidade? Como são vividos os feriados? Como é a expressão cultural por aí? O que acha de registrar sua opinião na área de comentários abaixo?