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Feriados no Maranhão

Maranhão é um “estado em estado de graça” a contar pela quantidade de comemorações durante o ano inteiro. Bumba-meu-boi, Tambor dos Reis, Cordão de Minas, Festa do Divino Espírito Santo, dentre centenas de outras. Há apenas dois feriados no Maranhão, pelo menos feriados estaduais. Mas… precisa de mais?

“Não precisa”, é o que diz a população de todo o Maranhão. Não mesmo. Com tantos dias de festas por ano, dispensam-se muitos feriados.

Em termos geográficos, Maranhão é o elo entre as regiões Norte e Nordeste. O contato com o oceano juntamente com sua terras fantásticas fazem o segundo maior litoral do país. Com isso, é agraciado com enorme quantidade de ecossistemas, incluindo parte da floresta amazônica. Apenas por isso já merecia bons feriados no Maranhão.

Esses sistemas naturais estão espalhados ao longo de quase 650 quilômetros de extensão litorânea. São cerrados, delta aberto, praias tropicais, mangues. O estado ainda contém o maior espaço do mundo com lagoas de águas transparentes.

Por essas e outras (e muitas outras mesmo), deveria haver muitos feriados em Maranhão. É polo turístico conhecido no mundo inteiro.

Interessante: há certa tese sobre a palavra “maranhão”, aliás, há muitas teses sobre isso. Entretanto, esta em especial diz que o termo é resultado de confusão dos índios pré-cabralinos. Ao se aproximarem das margens do rio Amazonas, avistaram aquela grandiosidade de água e acharam que era um mar.

Porém, um “mar que andava”. Então, chamaram de “Mar’Anhan”, ou seja, “mar que se mexe, que caminha, que anda”. Posteriormente, os colonizadores franceses e portugueses não conseguiram mudar o nome da região, pois já estava enraizado no conhecimento popular. Isso é ou não é digno de feriados no Maranhão?

Nota à parte importante: Nosso site trata de feriados e estes têm a ver com historicidade e tradição. Nesse contexto, embasa suas informações em fatos históricos. Assim acaba, se tornando excelente fonte de conhecimento, em especial em época de Enem.

Feriados no Maranhão: o estado

Maranhão é o segundo maior estado da Região Nordeste e o oitavo maior do Brasil; você vai ver também que seu PIB é o quarto da região e o 17o. do país. Essas informações seriam motivo para haver feriados no Maranhão que as comemorassem, motivo de admiração em outras regiões. Mas esse estado não tem muito o que comemorar na área social (veja mais sobre isso logo abaixo).

Seus limites são Piauí a leste, Tocantins ao sul e sudoeste e Pará a oeste. Já ao norte, é banhado pelo Oceano Atlântico. Esses limites compõem área de 331 937,450 km², na qual há 217 municípios com 7 035 055 habitantes. Dessa maneira, é o 11º estado mais populoso do país.

A capital São Luís é a cidade que detém maior parte dos habitantes do estado. Já Imperatriz, São José de Ribamar, Timon, Caxias, Codó, Paço do Lumiar, Açailândia e Bacabal são, na sequência, os outros municípios mais populosos.

Um grande Estado, uma grande pobreza

Aquele PIB que a gente mencionou no início deste artigo é alimentado por atividades econômicas diversas. A indústria é baseada no alumínio e alumina, além de na transformação da celulose e do setor alimentício e madeireiro.

Já os serviços são atividade com alguma expressão econômica. A economia maranhense também dispõe de atividades no extrativismo do babaçu; na agricultura, a cultura da soja, mandioca, arroz, milho é bastante forte.

Apesar de tais dados representarem grande força, Maranhão é detentor de um número preocupante: 0,687 é a quantidade de pontos que tem conseguido no Índice de Desenvolvimento Humano – IDH. Aliás, é o estado que apresenta o menor índice. E há muito tempo. E isso jamais deve ser comemorado. (Nunca. Especialmente como um dos feriados no Maranhão).

É, portanto, um dos estados mais pobres do país. E esse caráter tem raízes históricas, mais precisamente na época da Independência do Brasil.

Feriados no Maranhão: estaduais

Que se lê sobre algum evento histórico de longa data, a impressão que se tem é que as coisas acontecem repentinamente, de supetão. Quando se diz, por exemplo, que Tiradentes foi enforcado em 22 de abril por conta da Inconfidência Mineira, parece que a reação inconfidente começou de manhã e ele foi enforcado à tarde.

Claro, não é assim. É preciso observar fatos históricos com as mesma percepção que se tem dos fatos atuais. Veja-se o caso da Venezuela. Os fatos estão se arrastando já há pelo menos dois anos. Quando os livros retratarem a vitória ou derrota do presidente atual daquele país, a impressão será que tudo terá acontecido em poucos dias.

Foi, aliás, o que aconteceu com a adesão do Maranhão à condição de independência do Brasil. Veja que isso é tão interessante que acabou se transformando em um dos feriados no Maranhão.

28 de julho – Adesão do Maranhão à Independência

Então, dito isso, vamos à história de um dos feriados no Maranhão mais esperados pelo espírito cívico da população maranhense. Sabe-se que a oficialização do afastamento legal do Brasil de Portugal se deu em 07 de setembro de 1882.

Nesse momento, diz a história que D. Pedro I desembainhou sua espada, ergueu-a ao alto da cabeça e gritou para todos a sua volta: Independência ou Morte. Em verdade, esse dia foi o cume, o ápice de um longo processo que se arrastava já havia muitos anos.

Nesse caso, é certo que a maioria dos estudantes imagina que, a partir daquele 07 de setembro, todo o país se viu finalmente livre da sanha, da fome financeira de Portugal e, portanto, independente política e economicamente falando.

Porém, aquele longínquo dia de setembro não foi o fim de um processo, mas sim início de outro. É o caso, por exemplo, do dia que um dos feriados no Maranhão. Por quase um ano, o estado permaneceu sem saber se realmente estava independente de Portugal ou ainda na condição de colônia do país europeu.

Resistência da Elite

Assim como ocorreu em várias outras regiões do país, parte da população do Maranhão resistiu às ideias de independência. Se tivesse ganhado a “briga”, haveria ainda menos feriados no Maranhão. Mas aquela parte não ganhou. Demorou, mais foi derrotada.

A parte da população eram os agricultores e os pecuaristas, mas apenas as elites. Afinal, elas ganhavam muito dinheiro com o envio de produtos para a Metrópole, como era conhecida a Corte Portuguesa.

Por questões regionais, Maranhão estava em um das regiões mais ricas do Brasil e era foco de Portugal. Por ter acesso ao oceano e estar mais próximo da Europa, até mesmo filhos de comerciantes abastados de Maranhão iam estudar em Lisboa. Além disso e ainda por questões regionais, o estado estava longe do burburinho independencionista.

Dessa maneira, as elites maranhenses podiam se mostrar arredias ao movimento iniciado nos estados mais abaixo no mapa, em especial no Rio de Janeiro. Tornaram-se conservadoras ao extremos tanto política quanto comportamentalmente. (Estariam querendo menos feriados no Maranhão? [risos])

Batalhas Sangrentas

Assim, as elites lutaram até o fim para se manter sob o manto de Portugal. Por outro lado, os estados da vizinhança, especialmente o Piauí, já tinham aderido à libertação. Então, as elites conseguiram criar uma Junta Governativa na Capital cujo objetivo principal era justamente combater os revoltados contra a Metrópole.

Assim, a Junta passou a controlar todas as atividades importantes, especialmente as econômicas. Tanto fizeram que muitos movimentos menores foram criados para combatê-la, como a Batalha do Jenipapo. Esta foi uma das mais sangrentas contendas e uma das últimas pela Independência (Alguns historiadores pretendem que essa batalha seja dos feriados no Maranhão).

Então, em 28 de julho de 1823, quase um ano após o Grito do Ipiranga, as tropas portuguesas foram finalmente vencidas e declarou-se a “Independência do Maranhão”, ou seja, “A Adesão do Maranhão à Independência”.

Efeito pós-resistência

Acontece que Maranhão sofreu seriíssimas retaliações por parte do governo pós-independência. Diz-se que as batalhas de sangue deixaram mágoas políticas que se estendem até home. Afinal, tudo se dá hoje por ter resistido ao máximo e ter sido um dos últimos redutos contra a Independência.

Feriados no Maranhão: Como é comemorado o dia 28 de julho

Atualmente, a data é comemorada com desfiles, eventos escolares, ações nos quartéis etc. A Assembleia destaca atividades especiais.

Por outro lado, sociólogos, antropólogos e demais cientistas da área humana do Maranhão são unânimes ao alegar que a condição de pobreza do estado tem sido resultado daquela época. Portanto, dizem eles, manter a data como um dos feriados no Maranhão é oportunidade para lembrar a todos que um país deve ser unido em seus objetivos.

20 de novembro – Dia da Consciência Negra

A partir de 2018, Maranhão entra para o rol dos estados brasileiros que enaltecem o Dia da Consciência Negra. A Lei que instituiu a data em todo o território nacional é a 12.519/11. Entretanto, estados e municípios não têm obrigação de segui-la.

Dessa maneira, a data tornou-se um feriados no Maranhão somente em 2017 a partir da Lei Estadual 10.747/17.

A data lembra o dia da morte de Zumbi dos Palmares, quilombola que liderou uma série de revoltas por parte dos escravos em prol da libertação. Afinal, escravidão lembra historicamente negros e por volta de 80% da população maranhense são de negros. Portanto, há forte base histórica para que seja um dos feriados no Maranhão.

Feriados no Maranhão: Como é comemorado o dia 20 de novembro

O grupo GDAM, que se apresenta nessa data há vários anos com o show Zumbi Vive, mostra o encanto da música africana. Normalmente, diversos artistas de âmbito negro são convidados para o evento. O grupo também se apresenta em outros feriados no Maranhão.

Há também ações comunitárias, como cabeleireiros especializados em penteados específicos para cabelos negros. Além disso, o governo prepara atividades em nome de suas secretarias. Assim, há oficina de ações sustentáveis voltadas às comunidades negras.

Um evento especial de roda de palestras discute as diferenças religiosas. E também gincanas, brincadeiras, concursos diversos etc.

Feriados no Maranhão: Palmares

O Quilombo dos Palmares ficou tão conhecido e localidade tão venerada que chegou a contar com mais de 30 mil habitantes. E seria até maior que o próprio Portugal se não tivesse sido dispersado.

Ficava em Serra da Barriga, no interior da antiga Bahia (que era bem maior que hoje, abrangendo o estado de Alagoas). A região é o local onde hoje está o município União dos Palmares, Alagoas.

Feriados no Maranhão: Zumbi dos Palmares pelos livros oficiais

Chamavam-no (Zumbi dos) Palmares porque este foi o maior quilombo do país, local de concentração de negros fugitivos da dura vida de escravos. Zumbi é corruptela de zambi que, em dialeto africano, quer dizer “fantasma” ou “sem vida que anda”.

O herói negro foi brasileiro genuíno, ou seja, não veio arrancado de terras africanas. Foi alagoano nascido em quilombo livre em 1655. Entretanto, foi capturado e obrigado a viver com os brancos. A data de seu nascimento também é pleiteada para ser um dos feriados no Maranhão.

Entregue ao padre missionário português Antônio Melo, assimilou a língua portuguesa e aprendeu latim, além da cultura branca do povoado. Assim, foi até mesmo batizado no Catolicismo, a partir do que passou ser chamado “Francisco”. Chegou a ajudar nas missas, como o que hoje seriam os coroinhas.

Entretanto, ousado, arredio e bravio, sonhava com o Quilombo dos Palmares. Queria que fosse ainda mais forte, uma comunidade negra constituída legalmente. Ou forçadamente.

Início da liderança de Zumbi

Quando Zumbi tinha 20 anos de idade, Palmares, liderado por Ganga Zumba, foi atacado e invadido por portugueses. O rapaz então fugiu das amarras brancas e combateu juntamente com os negros. Aí, teve início sua fama de bravo, de verdadeiro guerreiro africano.

Nesse cenário, os soldados portugueses foram vencidos e abandonaram a batalha. A imagem de líder de Zumbi se fortaleceu. Passou a viver em Palmares.

Entretanto, as relações dos quilombos com as comunidades brancas permaneceram abaladas. Isso gerou diversos conflitos. Assim, alguns anos depois da batalha de Palmares, o governador da província de Pernambuco resolveu oferecer proposta para o líder de Palmares.

O cerne da proposta previa que os negros dos quilombos seriam totalmente livres e não sofreriam mais qualquer perseguição. Porém, todos precisariam se submeter às regras político-sociais da província. Zumba aceitou a proposta, mas Zumbi não. O herói negro achava injusto que os negros fora dos quilombos permanecessem escravos e aprisionados nas fazendas.

Então, travou-se batalha interna entre Zumba e Zumbi. Assim, aos 25 anos, Zumbi assume a liderança do maior quilombo do país. Levou a comunidade a crescimento invejável, além de vencer batalhas ferrenhas contra os brancos.

Fim de Zumbi

Entretanto, Domingos Velho, bandeirante experiente e terrível, consegue organizar investida contra Palmares em 1694. A sede da comunidade, Macacos, é completamente destruída. Zumbi foge com alguns companheiros para tentar reorganizar o povo depois.

Contudo, é traído. Capturado, é morto e decapitado em 20 de novembro de 1695. Sua cabeça fica exposta à frente da sede da província.

Zumbi dos Palmares pelos livros não oficiais

Alguns – talvez muitos – antropólogos e historiadores têm versão menos romântica da vida de Zumbi dos Palmares. Segundo suas análises, os próprios quilombos não eram paraísos para os negros como se quer entender.

Os negros que chegavam a eles, fugidos de fazendas desumanas, tinham de se habituar às regras internas. E nem sempre elas eram adequadas. Muitos quilombos mantinham até mesmo sistema de escravidão em suas sociedades. Estranho, mas normal.

Normal, pelo menos na visão dos estudiosos atuais e dos líderes quilombolas da época. Segundo estudos, a “escravidão” encontrada nos quilombos era diferente da imposta por branco aos negros. Era mais um sistema de casta, de divisão social. Havia o “governador”, seus auxiliares, o povo e os “servidores”.

Há registros sobre a manutenção desse regime escravocrata interno como sendo maneira de difundir a cultura das comunidades africanas. Mesmo lá, os negros de baixa casta eram (e ainda são) encarados como “menores” e, portanto, “servidores”.

As regras eram tão rígidas que havia tentativas de fuga dos quilombos por parte dos negros. Nesse caso, o líder enviava caçadores no percalço dos fugitivos. Os apanhados eram rigorosamente castigados e até mortos em meio a todos.

Segundo muitos estudiosos, Zumbi foi um dos líderes mais ferrenhos, sangrentos e déspotas que todos os quilombos do Brasil conheceram. Inclusive Palmares.

Então, é isso. A história dos feriados no Maranhão é densa, intensa, rica. As festas populares por conta desses e de outros fatos históricos e casos folclóricos são inúmeras. E, se você tiver mais informações ou quiser tirar alguma dúvida sobre algo que leu neste artigo, use a área de comentários abaixo. Deixe suas impressões, dê sugestões, participe.