Menu fechado

Feriados no Rio Grande do Norte

Nordeste de grandes lutas! Haja comemoração para tanto. Os feriados no Rio Grande do Norte seguem o caráter de toda a Região Nordeste: espírito cívico e religioso. Em algumas ocasiões, cívico e religioso no mesmo feriado.

Ao longo de diversos artigos sobre feriados estaduais no país publicados neste site, o que realmente chama a atenção é o caráter cívico-militar de muitos deles. No estado de São Paulo, quando se quer pedir, sugerir, instigar o devido respeito aos nordestinos, diz-se que “eles ajudaram a construir o estado paulistano”.

Contudo, as leituras feitas em nossos artigos deixam claro, evidente, óbvio que isso é ledo engano, é equívoco histórico. Em verdade, os nordestinos não ajudaram a construir S. Paulo. Eles simplesmente foram a base do espírito de liberdade de todo o país a partir de tantas lutas pela independência que foram travadas naquelas terras.

Os Protomártires do Brasil que o digam! Aliás, eles são orgulho para todo o estado. Não à toa, portanto, eles são lembrados em um dos feriados no Rio Grande do Norte.

E, no presente, permanecem como fundamento para manutenção desse espírito.

Você vai saber mais sobre os Protomártires do Brasil mais abaixo.

Feriados no Rio Grande do Norte: o estado

A leste do estado, está o majestoso Oceano Atlântico. Ele mantém várias das praias mais buscadas por turistas de todo o país e as torna conhecidas por turistas de todo o mundo. (Afinal, são mais de 400 quilômetros de litoral – as dunas de Genipapu, por exemplo, chegam a mais de 50m de altura.) A sul, está Paraíba e, a oeste, Ceará.

Rio Grande do Norte tem 167 municípios que constituem quase 53 milhões de quilômetros quadrados. Isso significa menos de 3,5% da Região Nordeste. Nesse pequeno território, vivem pouco menos de 3,5 milhões de potiguares.

Apesar de pequeno, entretanto, o estado tem grande participação na vida econômica da região. Aliás, nele está o melhor Índice de Desenvolvimento Humano – IDH do Nordeste. Assim, tem também a melhor renda per capta.

De certa maneira, isso contribui para que Rio Grande do Norte tenha grande expectativa de vida, que gira em torno de mais de 75 anos. Esses fatos poderiam muito bem ser considerados grandes motivos para muitos feriados no Rio Grande do Norte.

Uma história de tanto

A história ancestral do território potiguar é passível de ter muitos feriados no Rio Grande do Norte. Sabe-se que a região começou a ser povoada entre 11 mil e 9 mil anos atrás. Segundo estudos, há fortes indícios para se concluir que os povos primitivos começaram a migrar dos andes.

Assim, aqueles nômades atravessaram todo o território que hoje compreende o oeste e o centro-oeste do Brasil e se instalaram na hoje Região Nordeste. Com o passar dos séculos, os povos foram tomando posse das terras e construíram o “jeitão do potiguar”.

Aliás, falando em tempos antigos, um pedreira na cidade de Presidente Juscelino é considerada por geólogos como a rocha mais antiga de toda a América do Sul. Tem por volta de 3,5 bilhões de ano.

Avançando na história, posteriormente à chegada de Cabral, Rio Grande do Norte passou por diversas invasões de nações europeias. Aliás, a invasão por parte da Holanda é uma das bases para um dos feriados no Rio Grande do Norte.

Assim, holandeses e franceses fizeram mesclar suas características às dos indígenas nativos. Entretanto, tendo já havido portugueses na região, a mescla ocorreu também com eles.

Pouco mais de três décadas após a chegada de Cabral às terras tupiniquins, D. João III resolveu doar a então chamada Capitania do Rio Grande. Com a independência do país de Portugal, tornou-se província. Já após a transformação do Brasil de império para República, a província foi denominada finalmente “estado”.

A esquina da América do Sul

As terras do Rio Grande do Norte estão bem a nordeste da América. O encontro dessas terras com o Oceano Atlântico é quase o extremo do Brasil, estando a Paraíba um pouquinho mais perto da Europa. Nesse caso, diz-se que Rio Grande do Norte é uma das esquinas do país.

Esse fato, por sua vez, favorece (e favoreceu ainda mais no passado) o estado nas relações com os países europeus. Por isso, aliás, foi uma das portas para as invasões francesas e holandesas pouco depois do descobrimento do Brasil.

Os melhores ares do Brasil

A posição geográfica do Rio Grande do Norte o coloca diretamente sob ação das águas do oceano. Nesse caso, o clima semiárido na parte norte de suas praias permite grande produção de sal. Não à toa, o estado atende a 95% da demanda nacional desse produto.

Por outro lado, também possibilita excelência na qualidade do ar. Recentemente, constatou-se que o estado detém o segundo lugar em oferta de clima favorável à saúde humana. E o órgão que disse isso foi nada mais, nada menos que a Nasa.

Por que “potiguar”

Antes da chegada de Cabral, a região do estado e também da Paraíba era tomada por tribos tupi. A mais populosa delas era a Nação Potiguara. No idioma local da época, significa “grande comedor de camarão”.

Posteriormente, com o início do processo de colonização portuguesa, os descendentes da miscigenação foram assumindo o apelido de potiguar. Era a forma de manterem um pouco da tradição indígena local.

Não à toa, o sobrenome “Camarão” foi usado por muitas famílias do estado. Isso se deu quando os hábitos religiosos cristãos passaram a ganhar espaço na colonização.

Feriados no Rio Grande do Norte

No âmbito estadual, há pouquíssimos pontos facultativos e feriados no Rio Grande do Norte.

03 de outubro – Dia dos Mártires de Cunhaú e Uruaçú

Desde 2006, o dia 03 de outubro é um dos feriados no Rio Grande do Norte. Trata-se de data comemorativa sobre dois episódios lamentáveis na história do estado.

Nesse dia do ano de 1645, por volta de três dezenas de cristãos pereceram sob ação violenta de índios e soldados invasores holandeses no território norte-riograndense. Porém, houve mais de 150 mortes no total. A contenda é hoje conhecida como Massacre de Uruaçu e a data ficou conhecida como “Dia dos Mártires do Cunhaú e Uruaçu”.

Ou, simplesmente, “Dia dos Protomártires do Brasil”. Uma das ações de violência se deu na localidade de Engenho Cunhaú, na Capela de Nossa Senhora das Candeias. Isso foi no município de Canguaretama. O outro episódio ocorreu na Comunidade Uruaçú, em São Gonçalo do Amarante.

Nesses dias, padres e fiéis cristãos pagaram alto preço por celebrar sua fé: a própria vida.

Cunhaú, palco de amor, religião e morte

A região estava em pleno processo de catequização dos índios. Ao mesmo tempo, a Holanda tinha iniciado suas investidas para tomada do território tupiniquim do poder da Coroa Portuguesa.

Nesse cenário, o conflito de Cunhaú, bem como o de Uruaçu, se deu por questões político-religiosas e étnicas.

Já o termo “amor” no subtítulo acima se deu por estratégia de um mercenário alemão chamado Jacob Rabbi. Este estava na região a convite de autoridades holandesas para encenar golpe contra os catequistas. E sua ação foi a mais mortal possível.

Rabbi infiltrou-se nas tribos indígenas, em especial os janduís. Chegou mesmo a manter relacionamento com uma índia com propósito de aumentar seu prestígio junto aos nativos. Historiadores dizem que até mesmo a tomou como esposa. Passou quase cinco anos no convívio com eles e angariou prestígio e reconhecimento por sua bravura.

Nesse tempo todo, enganou os indígenas. Seu plano era usar a força dos índios contra o que chamou de “malditos religiosos que querem acabar com ‘nossa’ tribo”.

O massacre

Já era conhecido por todos, pois desfilava constantemente em companhia de índios violentos, incluindo os tapuias, bem como alguns potiguares também mercenários. Em julho de 1645, chegou ao engenho de Cunhaú com intenções macabras. Surgiu acompanhado por índios, soldados holandeses e também potiguares.

O dia 16 foi um domingo. Então, fiéis cristãos se aglomeravam na Capela Nossa Senhora das Candeias para a missa em celebração à Eucaristia. Sob ordens do governo holandês, Rabbi invadiu a igreja.

O responsável pelo processo de disseminação da religiosidade europeia, pe. André de Soveral, oficiava a missa. Nesse momento, as portas da capela se fecharam por ação dos comandados por Rabbi.

O religioso teve o coração extraído brutalmente. Assim, a maioria dos presentes foi simplesmente massacrada. Foi a maneira que o mercenário usou para mostrar seu poderio, bem como o poder do governo holandês.

Uruaçu, palco de outra tragédia

Por volta de três meses depois do massacre de Cunhaú, Jacob Rabbi avançou sobre a comunidade de Uruaçu. Isso se deu em 03 de outubro, data hoje lembrada como um dos feriados no Rio Grande do Norte.

A estratégia foi a mesma da tragédia anterior: manter os fiéis dentro da capela e destroçar todos. Entretanto, esse episódio foi ainda mais cruel. As línguas dos celebrantes foram arrancadas para que não proferissem suas orações católicas no momento dos assassinatos.

A crueldade do alemão não diminuiu nem mesmo contra crianças, cujos corpos foram também degolados. Isto é, a exemplo dos corpos de adultos igualmente. O celebrante oficial, padre Ambrósio Francisco Ferro, foi torturado e decapitado.

Um camponês participante da missa, Mateus Moreira, teve morte diferenciada, pois mantinha sua postura religiosa. E isso mesmo sob mira das armas dos invasores. Seu coração foi arrancado enquanto gritava “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”. Assim, tornou-se personagem especial no massacre e hoje é reverenciado.

Beatificação dos Protomártires

No ano 2000, após toda a burocracia necessária nos meandros do Vaticano, o Papa João Paulo II presidiu a celebração de beatificação dos “Protomártires do Brasil”. O evento aconteceu na própria Praça de São Pedro, em 05 de março daquele ano.

Entretanto, autoridades eclesiásticas da Congregação para a Causa dos Santos do Vaticano impuseram algumas exigências para caracterização dos beato:

  • As vítimas deveriam ter aceito passivamente suas próprias mortes
  • A violência brutal e desumana deveria ser base da ação
  • O motivo para as ações violentas deveria ser a Fé Cristã diretamente

Assim, os padres Ambrósio Francisco Ferro e André de Soveral, bem como o fiel Mateus Moreira e mais quase três dezenas de seus companheiros, se tornaram oficialmente beatos. Cerca de mil brasileiros acompanharam a celebração em meio a 15 mil outros presentes.

Canonização dos Protomártires

O Para Francisco autorizou o processo de canonização dos protomártires brasileiros em 2017. Assim, eles se tornaram os mais novos santos do Brasil no mesmo ano. O chefe-mor católico preferiu dispensar comprovação de milagres, não obstante haver diversos relatos de bençãos conseguidas a partir dos nomes dos canonizados.

A celebração oficiosa teve participação de 450 auxiliares canônicos. Outras 50 mil pessoas presenciaram o evento na Praça de São Pedro.

Como se comemora a data

A data é comemorada com eventos oficiais e religiosos. Em julho, há celebrações de missas em memória dos mártires em Canguaretama. É o local do primeiro massacre. Em outubro, a lembrança ocorre no Monumento aos Mártires (inaugurado no dia 05 de dezembro de 2000), na comunidade de Uruaçu, no município de São Gonçalo do Amarante.

Nos dias anteriores e posteriores a 03 de outubro, milhares de fiéis comparecem para às paróquias. Por conta de tanta devoção dos martirizados e da consideração popular por suas posturas, são considerados heróis potiguares, pois ajudaram a livrar o país da sanha europeia.

Patronado

Mateus Moreira, o fiel que teve o coração retirado brutalmente, tem seu nome registrado nos pleitos canônicos. A 43ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil, em 2005, aprovou seu nome como “Patrono dos Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística”.

Então, é isso. Como foi visto, a Região Nordeste tem forte participação na construção do país a partir de seu sentido de defesa de nossa soberania. E um dos mais intensos feriados no Rio Grande do Norte comprova esse fato.

Se você tiver alguma outra curiosidade sobre esse tema, registre na área de comentários abaixo. Ou, então, deixe sua opinião sobre este artigo.